Chile revê expropriação da Colonia Dignidad que foi usada para tortura por Pinochet

Situado a 380 quilómetros a sul de Santiago, o enclave fundado em 1961 com o nome de Colonia Dignidad foi dirigido durante mais de trinta anos por Paul Schäfer, um antigo cabo nazi.

29 de março de 2026 às 19:10
José Antonio Kast Foto: Matias Delacroix/AP
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O Governo do novo presidente chileno, José Antonio Kast, de extrema-direita, vai rever a expropriação da antiga Colonia Dignidad, um enclave alemão que serviu de centro de tortura durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Situado a 380 quilómetros a sul de Santiago, o enclave fundado em 1961 com o nome de Colonia Dignidad foi dirigido durante mais de trinta anos por Paul Schäfer, um antigo cabo nazi.

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Detido em 2005 na Argentina, foi considerado culpado de agressões sexuais a crianças e morreu na prisão em 2010.

Durante a ditadura de Augusto Pinochet, o enclave também serviu de centro de tortura e execução. As autoridades estimam que 26 opositores desapareceram no local e que dezenas de outros foram sequestrados e torturados.

Após o fim da ditadura, o Governo dissolveu a colónia. As terras permaneceram nas mãos de uma parte dos colonos que se opõem ao plano de expropriação.

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"Vamos voltar à questão da expropriação da Colonia Dignidad e promulgaremos um decreto que revogue" o anterior, declarou o ministro da Habitação, Iván Poduje, ao jornal La Tercera, invocando problemas de custos.

A expropriação de 117 hectares da antiga Colonia Dignidad tinha sido decretada em julho de 2025 pelo Governo de esquerda de Gabriel Boric com o objetivo de construir ali um local de memória para as vítimas da ditadura militar.

"Este projeto não tem nada a ver com o nosso programa", sublinhou o ministro Poduje, destacando a má situação orçamental herdada do governo anterior.

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O ministro afirmou que esta decisão respondia a um "critério puramente de prioridade social" e descartou qualquer consideração ideológica.

"O Ministério da Habitação ocupa-se de construir casas, melhorar a cidade e criar bairros. E os direitos humanos que hoje são violados são os das crianças que vivem em condições de promiscuidade e que, por causa disso, sofrem violência", disse.

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