Christine Lagarde admite deixar BCE para intervir no debate presidencial francês

"Penso que uma voz europeia deve fazer-se ouvir no debate presidencial francês", disse a presidente do Banco Central Europeu.

02 de julho de 2026 às 20:07
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu Foto: Arne Dedert / picture-alliance / dpa / Associated Press
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Christine Lagarde disse que não exclui abandonar a presidência do Banco Central Europeu (BCE) antes do final do seu mandato, em outubro de 2027, para fazer ouvir "uma voz europeia" no debate das eleições presidenciais francesas.

Numa entrevista ao jornal Les Echos, citada pela AFP, a presidente do BCE, cuja eventual saída antecipada antes das eleições presidenciais já tinha sido mencionada em fevereiro pelo Financial Times, considera que "a capitã do navio BCE deve permanecer a bordo" durante este "período de turbulência", provocado pela guerra no Médio Oriente, para garantir a estabilidade dos preços na zona euro.

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O conflito reacendeu a inflação e obrigou o BCE a aumentar as taxas de juro em 11 de junho, depois de estas se terem mantido estáveis desde julho de 2025.

Questionada sobre uma eventual saída antecipada caso a situação se acalme, Christine Lagarde respondeu, no entanto: "É possível. Penso que uma voz europeia deve fazer-se ouvir no debate presidencial francês".

"Se, nesse debate, se desenhasse uma perspetiva que reduzisse o compromisso da França com a Europa, penso que seria necessário explicar por que razão esse seria um caminho doloroso para o nosso país e para os nossos concidadãos", afirmou, considerando "muito possível" trocar impressões com alguns candidatos nos próximos meses.

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"França vai ter de tomar decisões corajosas sobre questões difíceis. Os candidatos às eleições presidenciais têm o dever de enfrentar esses temas e de apresentar soluções. E, ao contrário do que ouço frequentemente de homens e mulheres da política, os franceses estão perfeitamente conscientes da situação e esperam um discurso de verdade e de soluções", acrescentou.

Já em 15 de junho, a presidente da instituição monetária sediada em Frankfurt tinha feito declarações que sugeriam a sua vontade de participar no debate público, embora tenha garantido não ser candidata "a rigorosamente nada".

Na entrevista, quando questionada sobre a possibilidade de apoiar um candidato ou de apresentar a sua própria candidatura, respondeu: "Vou refletir sobre isso", antes de corrigir em tom de brincadeira: "Não, estou a brincar. Penso que isso não está em cima da mesa."

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As próximas eleições presidenciais em França estão marcadas para 18 de abril (primeira volta) e 02 de maio de 2027 (segunda volta).

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