CICLONE ATINGE BRASIL
O raro ciclone que se formou no Atlântico Sul já chegou à costa do Brasil. O contacto entre o ‘olho’ da tempestade e terra aconteceu sábado à noite, na região de Santa Catarina, a poucos quilómetros da fronteira com o Rio Grande do Sul e causou a morte a pelo menos duas pessoas, vários feridos e centenas de desalojados.
De acordo com a edição on-line do jornal brasileiro “Folha de São Paulo”, o ciclone chegou à costa brasileira às 23h50 locais de ontem. O primeiro impacto foi sentido numa faixa do litoral brasileiro entre Laguna e Torres, que suportaram chuvas torrenciais, ventos com velocidade entre os 60 e 80 km/h, atingindo rajadas superiores a 100 km/h, e mar muito revolto, com onda de cinco metros de altura. Todo o litoral sul catarinense e o extremo nordeste gaúcho foi fustigada durante a noite, estando a tempestade a evoluir lentamente sobre terra, esperando-se que acabe por se dissipar.
A Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul informou que no município de Torres foi decretado o estado de emergência. Nessa cidade, muitas casas ficaram sem telhado, algumas ruíram e foi afectada a rede de distribuição de energia eléctrica, tendo sido já instalado um centro de acolhimento para desalojados numa escola federal.
FENÓMENO RARO
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos da América nunca havia registado um ciclone no Atlântico Sul, pelo menos desde que deu início ao rasteio sistemático e por radar das tempestades oceânicas, em 1966. A tempestade que se formou a mil quilómetros da costa brasileira e que a atingiu ontem à noite com a força de um ciclone, de categoria 1 (o mais fraco), é, pois, um fenómeno climatérico extremamente raro e que muito dará que pensar aos cientistas da especialidade.
O fenómeno é tão raro que os norte-americanos nem souberam baptizar a tempestade, por não haver um sistema estabelecido para o fazer, como existe para o Atlântico Norte, conhecido pela sua época de ciclones e furacões. No Atlântico Norte, os cerca de 7 furacões que se formam anualmente são baptizados com nomes de mulher e de homem, que são fixos e alternam de acordo com a ordem de formação da tempestade. Por esta razão, os norte-americanos chamaram-lhe apenas Ciclone do Atlântico Sul, mas os brasileiros, de forma pragmática, baptizaram-no Ciclone Catarina, por este ter ‘tocado’ terra na costa de Santa Catarina.
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