CNE cabo-verdiana averigua atrasos do recenseamento eleitoral na diáspora
Eleições legislativas acontecem a 17 de maio.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Cabo Verde anunciou esta quinta-feira que vai apurar eventuais responsabilidades nos atrasos do recenseamento eleitoral na diáspora, com vista às eleições legislativas de 17 de maio, após uma queixa da oposição.
"A CNE deliberou registar e analisar as situações reportadas (...), promovendo as diligências necessárias com vista ao apuramento rigoroso dos factos e à eventual determinação de responsabilidades das entidades envolvidas, designadamente da Assembleia Nacional, do Governo e dos partidos políticos", lê-se na decisão.
A CNE ressalva que, a 03 de março, todas as comissões de recenseamento eleitoral já estavam empossadas e em funcionamento.
O recenseamento termina esta quinta-feira e o órgão emitiu ainda recomendações administrativas, logísticas e operacionais para que a situação não se repita.
A queixa foi apresentada pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que se queixou de atrasos na posse de comissões de recenseamento, dificuldades logísticas e falta de transferência de verbas.
Na deliberação, a CNE confirmou que houve "atrasos e constrangimentos" por dificuldades "logísticas e financeiras", ao justificar o apuramento de responsabilidades.
Os três círculos eleitorais do estrangeiro tinham 52.748 eleitores inscritos nas últimas eleições legislativas, em 2021 (equivalente a 13,4% do total).
Comparando com os últimos dados de recenseamento (de setembro de 2025 e que ainda vão ser atualizados), o número de eleitores tem crescido mais depressa na diáspora (mais 7,2%) do que nas ilhas (mais 1,7%).
O presidente do Movimento para a Democracia (MpD) e primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no cargo desde 2016, candidata-se a um terceiro mandato consecutivo, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, apresenta o seu presidente e autarca da capital, Francisco Carvalho, para tentar voltar ao poder.
Os dois partidos têm governado o país desde as primeiras eleições livres, em 1991, e ocupam atualmente o parlamento com 38 deputados do MpD e 30 do PAICV, cabendo ainda quatro à União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que ambiciona ter um papel relevante num eventual cenário sem maioria absoluta.
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