Coligação marca paralisação no primeiro de maio em Los Angeles em protesto contra Trump

Protesto acontece em defesa dos direitos dos trabalhadores. Não é feriado nos Estados Unidos.

28 de abril de 2026 às 22:49
Donald Trump Foto: EPA
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A Los Angeles May Day Coalition anunciou esta terça-feira uma paralisação no primeiro de maio, que não é feriado nos Estados Unidos, em protesto contra as políticas da administração republicana de Donald Trump e em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Composta por 50 grupos, a coligação divulgou os detalhes do protesto, que vai decorrer sob o mote "Solo el Pueblo Shuts it Down -- No Work, No School, No Shopping".

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A utilização de "pueblo" (povo em espanhol) é uma referência à Grande Marcha de 2006, que levou mais de um milhão de imigrantes e cidadãos de origem hispânica às ruas de Los Angeles.

O tema, segundo afirmou o diretor de comunicação da CHIRLA (Coalition for Humane Immigrant Rights) Jorge-Mario Cabrera, "demonstra a força dos trabalhadores, da comunidade imigrante em geral e das comunidades religiosas para exercerem o seu poder".

A marcha vai ter início às 10h00 locais de Los Angeles (18h00 em Portugal Continental), e é esperada a participação de milhares de pessoas. A coligação apela a um boicote ao trabalho, à escola e às compras para enviar uma mensagem à administração Trump.

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Entre as exigências estão o fim do "terror de Trump" e a abolição do Serviço de Imigração e Fronteiras (ICE), a proteção e expansão do direito de voto, o aumento do salário mínimo, o aumento de impostos aos milionários para financiar programas sociais e o fim da guerra com o Irão.

"Não ao ICE, não à guerra, não aos bilionários", lia-se esta terça-feira na faixa empunhada pelos organizadores durante a conferência de imprensa em Los Angeles, onde falaram vários membros da coligação, incluindo representantes dos direitos dos imigrantes e trabalhadores-estudantes.

Amari Butler, estudante na Caltech, foi uma das vozes na conferência.

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"Estou aqui para ecoar o apelo dos meus colegas, trabalhadores e membros da comunidade para acabar com a guerra, parar o ICE e fazer greve no 1º de Maio", afirmou.

"A administração Trump e a extrema-direita passaram o ano a lançar um assalto contra todos os setores da classe trabalhadora", acusou, referindo que, ao mesmo tempo, o governo tem gasto milhões na guerra com o Irão.

"Há riqueza suficiente neste país para resolver todos os problemas do povo", acrescentou.

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Francisco Moreno, diretor-executivo da COFEM, uma organização que promove oportunidades para imigrantes latino-americanos, levou o cartaz da Grande Marcha de 2006 e disse que as condições são ainda piores agora do que eram há vinte anos.

"O governo declarou guerra contra nós", afirmou, referindo-se à chegada do ICE a Los Angeles, em junho de 2025.

"Temos de nos defender", frisou.

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Nas redes sociais, a coligação apelou a que todos os trabalhadores em Los Angeles (LA) se juntem à marcha.

"Exigimos que o ICE e a Patrulha de Fronteira abandonem LA e o fim das deportações", indicou.

"Apenas o povo para tudo, porque somos os que têm o poder para isso", destacou ainda a coligação.

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A marcha em Los Angeles será uma das maiores, mas não a única na Califórnia, onde estão marcadas pelo menos 23 iniciativas para assinalar o 1.º de Maio, o Dia do Trabalhador, uma data assinalada à escala mundial.

"Estamos a mobilizar as nossas comunidades para um dia de ações por toda a Califórnia para fortalecer o nosso poder e combater os ataques da administração Trump e dos aliados corporativos que impulsionam a sua agenda", afirmou a coligação que está a centralizar os esforços na Califórnia, CA May Day.

"Estamos a demonstrar que os trabalhadores têm poder nesta economia e que, no 1º de Maio de 2026, vamos exercer o nosso poder na Califórnia e no país", concluiu

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