Comercializadoras de soja saem de acordo que combate desflorestação da Amazónia
Acordo voluntário assinado impede a compra de soja produzida em exploração na Amazónia desflorestada.
A Associação Brasileira das Indústrias de Azeites Vegetais (Abiove), que reúne comercializadoras como Cargill, Bunge e Amaggi, anunciou na segunda-feira a saída do acordo em que se comprometia a não comprar soja cultivada nas áreas desflorestadas da Amazónia.
O anúncio foi feito quatro dias depois da entrada em vigor de uma lei do governo regional do Mato Grosso, no oeste do país, que veta a concessão de incentivos fiscais às empresas signatárias da dita Moratória da Soja.
A Moratória é um acordo voluntário assinado em 2006 pelas comercializadoras do grão que impede a compra de soja produzida em exploração na Amazónia desflorestada desde 2008.
A organizações ecologistas consideram que este acordo foi decisivo para a preservação da maior selva tropical do mundo nas últimas duas décadas.
A saída da Abiove, porém, compromete o acordo, uma vez que esta organização patronal inclui as principais comercializadoras de soja do Brasil que é o maior produtor e exportador mundial desta oleaginosa.
A Moratoria é alvo de críticas dos agricultores que se opõem às restrições dos seus produtos por motivos ambientais e que encontraram um aliado no governo do Mato Grosso.
Contudo, a lei estadual está a ser analisada pelo Supremo Tribunal, que avalia a sua constitucionalidade.
O governador estadual, Mauro Mendes, saudou a decisão da Abiove, que, pelo contrário, foi criticada por organizações ambientalistas.
Os ecologistas recordaram que a desflorestação na Amazónia reduziu-se em 69%, entre 2009 e 2022, graças à moratória, o que não impediu que a produção da soja, neste mesmo período, aumentasse nas zonas em causa em 344%.
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