Como um convite para jogar badmínton se tornou um código para sexo em Hong Kong

Documento de educação sexual para o ensino básico está a gerar polémica.

05 de setembro de 2024 às 17:16
Badmínton Foto: SHVETS production/ Pexels
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O convite para jogar badmínton ganhou uma nova interpretação em Hong Kong depois do gabinete de educação do território autónomo da China ter divulgado o material de educação sexual para o ensino básico. Neste, os jovens entre os 12 e os 14 anos, são aconselhados a estudar ou a praticar uma atividade física, como o badmínton, para evitar o sexo antes do casamento e outros "comportamentos íntimos". Agora, convidar alguém para praticar este desporto tornou-se um código entre os jovens para se referiram a sexo.

A própria Tse Ying Sue, jogadora de badmínton dos Jogos Olímpicos, não resistiu em fazer uma publicação. "Toda a gente está a marcar um encontro para jogar badmínton. Será que toda a gente gosta mesmo de badmínton?", perguntou a jogadora no Threads.

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Os materiais foram publicados na semana passada pelos Serviços de Educação num documento de 70 páginas que inclui fichas de trabalho para adolescentes e orientações para os professores.

Os jovens são aconselhados a controlarem os instintos e a serem responsáveis no que diz respeito ao início da vida sexual. "É normal que as pessoas tenham fantasias e desejos sexuais, mas temos de reconhecer que somos donos dos nossos desejos e que devemos pensar duas vezes antes de agir", lê-se no documento a que o jornal The New York Times teve acesso.

No texto, é aconselhado que os jovens evitem publicações que estimulem ou incentivem à masturbação e recomenda-se a prática de exercício físico e outras atividades que "desviem a atenção de atos indesejáveis". 

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O Gabinete de Educação referiu que o principal objetivo era ajudar os jovens entre os 12 e os 14 anos a "lidarem com as várias consequências fisiológicas e psicológicas do sexo antes do casamento, incluindo o sofrimento emocional, as responsabilidades legais, a infeção por doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez não casada".

O documento tem sido alvo de críticas por ter as diretrizes "irresponsáveis" e por perpetuar estereótipos machistas. Diana Kwok, professora de estudos de género na Universidade de Educação de Hong Kong, disse ao South China Morning Post que as autoridades não deviam enfatizar a necessidade de controlar o desenvolvimento sexual, mas sim ensinar os jovens a enfrentá-lo ou a compreendê-lo.

John Lee, o líder de Hong Kong, descreveu os materiais como sendo bons para o futuro a longo prazo do território. "Penso que a cultura social tem de ser criada coletivamente", afirmou.

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