Coronavírus mata líder da maior tribo indígena do Rio de Janeiro

Cacique do povo Sapukai estava internado desde o dia 26 de Junho no Centro de Referência no Tratamento da Covid-19 em Angra dos Reis.

Jair Bolsonaro quer tirar direitos a indígenas da Amazónia Foto: Direitos Reservados
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A Covid-19 fez mais uma vítima fatal entre os vulneráveis índios brasileiros, desta feita o líder da tribo Sapukai, a maior do estado do Rio de Janeiro. Domingos Venite, de 68 anos, morreu na madrugada desta terça-feira em Angra dos Reis, cidade turística na chamada Costa Verde do estado do Rio de Janeiro.

O cacique do povo Sapukai estava internado desde o dia 26 de Junho no Centro de Referência no Tratamento da Covid-19 em Angra dos Reis. Apesar dos esforços dos médicos e das rezas tradicionais do seu povo, Domingos não resistiu ao agravamento da doença provocada pelo Coronavírus.

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Os Sapucai, atualmente pouco mais de 350, vivem na aldeia Guarani-Sapukai, localizada a cerca de seis quilómetros da Rodovia Rio-Santos, na região de Bracuí, na área de mata de Angra dos Reis. A aldeia fica localizada numa região montanhosa cercada de floresta, onde os Sapukai, apesar da proximidade com a cosmopolita cidade litorânea e os avanços da modernidade, tentam manter as suas tradições originais.

De acordo com a autarquia de Angra dos Reis, ao menos 88 indígenas estão infetados com o Coronavírus na região. Eles são acompanhados por médicos do Centro de Referência e por colegas habituados a cuidar de indígenas, inclusive na aldeia, para facilitar o contacto e a adequação dos tratamentos aos rituais tradicionais.

De acordo com a APIB, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, em todo o território brasileiro a Covid-19 já infectou 16,6 mil índios e matou ao menos 542, a maioria na região da Amazónia, a milhares de quilómetros do Rio de Janeiro. Já para o Ministério da Saúde, que é comandado desde Maio por um general sem qualquer ligação à área, o número de indígenas mortos pela Covid-19 não chega a 200.

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