Crianças de rua entregues a pedófilos durante mais de 30 anos

Psicólogo alemão defendia que predadores seriam pais “especialmente carinhosos”.

19 de junho de 2020 às 08:21
‘Projeto Kentler’ defendia que pedófilos seriam pais adotivos carinhosos Foto: Getty Images
Partilhar

Chamava-se ‘Projeto Kentler’ graças ao seu impulsionador, o professor de psicologia alemão Helmut Kentler (1928-2008), e defendia que pedófilos seriam pais adotivos "especialmente carinhosos" para as crianças que vivam nas ruas de Berlim Ocidental. A experiência arrancou no início dos anos 70, durou mais de três décadas, e foi exposta agora através de um estudo da Universidade de Hildesheim. O número exato de vítimas não está apurado, mas largas dezenas de crianças foram entregues à guarda de predadores sexuais, com a conivência do governo alemão, que chegou até a atribuir subsídios a alguns destes homens.

A investigação partiu do relato de duas das vítimas de Fritz H., um pedófilo que, apesar de ter cadastro por abuso de menores, acolheu várias crianças, muitas com apenas seis ou sete anos. As primeiras chegaram a partir de 1970, a última saiu da sua casa em 2003. Estas duas vítimas tentaram processar o estado alemão, mas foi-lhes dito que os crimes prescreveram. Kentler, que chegou a descrever Fritz H. como um "especialista em educação", defendia também a normalização do sexo com crianças, pois ajudaria "no desenvolvimento da sua personalidade".

Pub

"As nossas vidas foram destruídas"

"As nossas vidas foram destruídas", afirmou uma das vítimas de Fritz H. Outra garantiu que os horrores vividos às mãos do pedófilo "não são algo que se consiga superar". O predador sexual morreu sem ser levado à Justiça, assim como Kentler, que impulsionou a experiência, e os políticos que a apoiaram. Os ficheiros que relatam a extensão dos abusos estão arquivados em Berlim e o partido Os Verdes pediu que sejam revelados.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar