Cuba deverá enfrentar cortes de energia que deixarão 61% da ilha sem eletricidade

País vive, desde meados de 2024, uma grave crise que se agravou com o bloqueio petrolífero imposto pelo Governo dos EUA desde janeiro.

20 de março de 2026 às 15:06
Sem petróleo, Cuba está às escuras Foto: Ramon Espinosa/AP
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Cuba enfrentará esta sexta-feira longos cortes de eletricidade em todo o território, cortes que deixarão até 61% da ilha sem energia durante o período de maior procura energética, segundo dados da agência de notícias espanhola EFE.

O país caribenho vive, desde meados de 2024, uma grave crise que se agravou com o bloqueio petrolífero imposto pelo Governo dos Estados Unidos desde janeiro, quando Washington bloqueou a comercialização de petróleo venezuelano para a ilha.

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As medidas do país norte-americano foram classificadas pelas Nações Unidas como "ações que violam os direitos humanos".

A empresa estatal Unión Eléctrica (UNE), subordinada ao Ministério da Energia e Minas de Cuba, prevê para o horário de maior procura deste dia, entre o período da tarde/noite, uma capacidade de geração de 1.216 megawatts (MW) e uma procura máxima de 3.050 MW.

O défice --- a diferença entre a oferta e a procura --- atingirá os 1.834 MW e o impacto estimado --- ou seja, o que será efetivamente desligado para evitar cortes de energia desordenados --- será de 1.864 MW, informou a UNE.

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Neste momento, metade das 16 unidades de produção termoelétrica do país não estão operacionais devido a avarias ou trabalhos de manutenção.

A crise energética cubana deve-se à combinação de um fator estrutural --- um sistema energético profundamente obsoleto --- e de um elemento conjuntural --- o bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos em janeiro.

As obsoletas centrais termoelétricas de Cuba (responsáveis por 40% do mix energético), construídas na sua maioria durante as décadas de 60 e 70 do século passado e com um défice crónico de investimentos e manutenção, sofrem avarias frequentes.

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Os restantes 40% da matriz energética eram assegurados por motores de geração, mas esta fonte de energia, que requer gasóleo e fuelóleo, está paralisada desde janeiro devido ao bloqueio petrolífero dos EUA.

O Governo cubano tem denunciado repetidamente o impacto das sanções norte-americanas e acusa Washington de "asfixia energética".

Várias estimativas independentes calculam que seriam necessários entre oito mil e dez mil milhões de dólares (entre cerca de 6,9 e 8,6 mil milhões de euros ao câmbio atual) para sanear o sistema elétrico.

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Desde outubro de 2024, Cuba registou seis apagões nacionais, o último dos quais na passada segunda-feira.

Os especialistas cubanos ainda não explicaram a causa dessa falha no Sistema Eletrónico Nacional (SEN).

Na nação caribenha, a situação energética já era crítica antes do novo apagão nacional. Havana sofre atualmente cortes de energia de aproximadamente 15 horas por dia e, nas províncias, estes chegam a durar até dois dias seguidos.

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Os apagões prejudicam a economia, que se contraiu mais de 15% desde 2020, segundo dados oficiais.

Além disso, têm sido o gatilho dos principais protestos sociais.

Nos últimos dias, ocorreram várias manifestações deste tipo, as mais relevantes em Havana e Morón, tendo a última terminado de forma violenta e com cinco detenções.

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