Democratas avançam com pacote de estímulo sem acordo bipartidário nos EUA
Responsáveis da equipa de Biden defendem que as atuais baixas taxas de juro tornam gerível o endividamento adicional.
Os senadores democratas norte-americanos deram hoje início ao processo de aprovação do pacote de estímulo da Administração Biden, no valor de 1,9 biliões de dólares, perante um impasse nas negociações sobre o apoio dos republicanos.
Hoje, o presidente Joe Biden e a secretária do Tesouro, Janet Yellen, mantiveram uma reunião por videoconferência com os senadores democratas, em que defenderam que a contra-proposta republicana, um pacote de estímulo de 618 mil milhões de dólares, era insuficiente para as atuais necessidades do país, a braços com a pandemia de covid-19.
"O Presidente Biden falou da necessidade de o Congresso responder de forma robusta e rápida", afirmou após a reunião o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer.
"Se aprovarmos um pacote pequeno, iremos debater-nos com a crise da covid durante anos", adiantou.
Sem esperar mais pelos contactos em curso com o partido republicano, no Senado, os democratas deram início ao processo de aprovação do pacote de estímulo apresentado pela Casa Branca, fazendo uso da sua maioria (50-49).
Mais demorado do que com apoio bipartidário, o processo poderá estar concluído em março, quando expiram algumas das medidas de estímulo em vigor, como a bonificação de subsídios de desemprego.
Tendo em vista alcançar um acordo bipartidário, a Casa Branca tem mantido contactos com legisladores republicanos, em particular 10 senadores sobre alterações potenciais ao pacote, mas Biden tem reiterado que não irá esperar pelo apoio republicano para lançar as medidas de auxílio, destinadas ao setor da Saúde, às famílias e às empresas.
A votação de hoje no Senado foi mal recebida pelo líder da minoria republicana, Mitch McConnell, que considerou "infeliz" que os democratas "tenham escolhido uma via totalmente partidária".
Enquanto os 10 senadores republicanos consideram prioritário o apoio financeiro ao sector da Saúde, e apoiam subsídios diretos de 1.000 dólares a cada cidadão, a Administração Biden propõe pagamentos de 1.400 dólares e um vasto conjunto de medidas de apoio às famílias, governos locais e empresas.
O apoio dos 10 senadores republicanos daria à Administração a maioria de 60 votos normalmente necessária para aprovação de legislação, contando com o voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris.
A votação processual de hoje abre caminho a uma eventual aprovação do financiamento ao abrigo do processo de reajustamento orçamental, que poderá passar no Senado com apenas 51 votos, depois de uma discussão que se antevê prolongada, e que terá de ter lugar também no Congresso.
Os Estados Unidos são o país com maior número total de casos de covid-19, mais de 26 milhões, que causaram mais de 443 mil vítimas mortais.
As medidas do "Plano de Resgate Americano" serão financiadas com recurso a endividamento do Estado, somando-se a biliões já aplicados em medidas de estímulo e aquisição de vacinas para a covid-19.
Responsáveis da equipa de Biden defendem que as atuais baixas taxas de juro tornam gerível o endividamento adicional.
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