Doentes obrigados a receber oxigénio à porta de hospital devido a elevada afluência
Diretor de pneumologia de Cotugno, em Nápoles, admite que triagem está a ser feita fora da unidade.
Giuseppe Fiorentino, diretor de pneumologia do hospital de Cotugno, em Nápoles, admitiu em entrevista ao jornal italiano Corriere del Mezzogiorno, que a triagem dos doentes está a ser feita fora da unidade hospitalar - dentro dos carros dos pacientes - devido à saturação do hospital.
Muitos dos doentes, inclusive, chegam a receber oxigénio, administrado pelos profissionais de saúde, dentro dos seus carros.
As imagens mostram vários carros e ambulâncias em fila em frente ao hospital que evidenciam a pressão de que está a ser alvo aquela unidade. De acordo com o jornal Corriere del Mezzogiorno, o cenário é quase de guerra com médicos e enfermeiros a lutar para chegar a todos os doentes em turnos exaustivos.
"O efeito mediático é terrível. E, paradoxalmente, quem assiste a esta situação na televisão entra em pânico ainda mais e corre para o hospital. Pelo menos 20 ou até 30 pessoas que chegam diariamente ao pronto-socorro são encaminhadas para casa após serem acompanhadas. Isso significa que não precisam de internamento", explica o pneumologista.
Confrontado com a questão de haver doentes a receber oxigénio no carro, Giuseppe afirma que isso significa que os médicos não podem ver todos os doentes ao mesmo tempo. O médico garante ainda que "o que parecem ser filas intermináveis são, na verdade, filas normais".
"O espaço em frente ao pronto-socorro do hospital de Cotugno é estreito, os carros que se veem não são muitos. Mas, em qualquer caso, a triagem é feita para todos de fora [do hospital] e depois são feitas as avaliações", esclarece.
Fiorentino explica ainda que tem sido administrado oxigénio nos carros dos doentes em vez destes serem admitidos no hospital porque se tratam de casos moderados, sem necessidade de ocupar uma cama.
Giuseppe alerta ainda para a gripe que deverá agravar toda a situação: "Este é o verdadeiro problema das próximas semanas, os sintomas são muito semelhantes, exceto pela falta de olfato e paladar que nos direciona para a patologia de Covid. A terapia de abordagem inicial é, entretanto, a mesma".
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