Droga sintética kush mata milhares de pessoas na África Ocidental desde 2022

Estudo indica que esta droga, que surgiu precisamente na Serra Leoa, "tem efeitos devastadores".

25 de fevereiro de 2025 às 14:56
Droga sintética Foto: Jorge Paula
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A droga sintética kush matou milhares de pessoas na África Ocidental desde 2022, principalmente na Serra Leoa, o seu epicentro, de acordo com um relatório da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional.

De acordo com o estudo "Kush na Serra Leoa: O crescente desafio das drogas sintéticas na África Ocidental", esta droga, que surgiu precisamente na Serra Leoa e que rapidamente se espalhou para os países da região, nomeadamente Guiné-Bissau, Libéria, Guiné-Conacri, Gâmbia e Senegal, "tem efeitos devastadores".

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Em abril de 2024, os impactos na saúde causados pelo kush eram tão graves que os Presidentes da Serra Leoa e da Libéria declararam uma emergência nacional devido ao consumo de droga, uma medida sem precedentes, explicou a organização em comunicado.

A iniciativa global realizou testes químicos a amostras de kush recolhidas na Serra Leoa e na Guiné-Bissau para investigação e comprovou que "mais de 50% das amostras contêm nitazenos, um opioide sintético altamente viciante e mortal, comparando ao fentanil, enquanto a outra metade contém canabinoides sintéticos", indicou a entidade no estudo.

A Guiné-Bissau foi um dos países que mais recentemente comunicou o aparecimento de kush nos mercados retalhistas de droga, mas o consumo manteve-se mais limitado e "não foram registadas muitas mortes", explicou.

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"Algumas dessas substâncias são importadas da China, dos Países Baixos e, muito provavelmente, do Reino Unido, por meio de rotas marítimas e serviços de correio aéreo e postal. Não está claro se os ingredientes do kush exportados dos países europeus incluem nitazenos ou apenas canabinóides sintéticos", contextualizou.

O mercado desta droga "costumava ser fortemente controlado por grandes grupos, mas atualmente está cada vez mais fragmentado", com pequenos atores a criarem as suas próprias operações e abstendo-se da violência, "por ser má para o negócio", segundo um relato citado no estudo.

Para a iniciativa global "é necessária uma ação coordenada e urgente em três frentes: 1) aperfeiçoar a monitorização, os sistemas de alerta precoce, os testes e a partilha de informações na África Ocidental; 2) interromper as cadeias de abastecimento da China, dos Países Baixos e do Reino Unido, bem como nos pontos de entrada na Serra Leoa; e 3) atenuar os efeitos nocivos do consumo de kush".

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Assim, "devido à natureza fragmentada do mercado de kush, é urgente uma ação coordenada", recomendou.

O kush é uma droga barata, extremamente viciante e cada vez mais mortífera que espelha a rápida infiltração das drogas sintéticas na África Ocidental, salientou.

"O afluxo de drogas sintéticas baratas, viciantes, nocivas e misturadas localmente está a mudar a África Ocidental de forma duradoura", disse.

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De acordo com o estudo, estão a surgir novos mercados de consumo de drogas e os riscos graves para a saúde são difíceis de combater num sistema de saúde mal preparado, sendo que cada vez mais jovens da África Ocidental - uma região em crescimento - serão afetados em todos os aspetos socioeconómicos.

"Em suma, é provável que o kush seja apenas o início de um problema de droga mais vasto e iminente na África Ocidental", lamentou.

No entanto, as mortes relacionadas com o kush parecem ter diminuído no segundo trimestre de 2024, embora o consumo continue elevado, salientou.

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A Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional é "uma rede de profissionais que trabalham na linha da frente na luta contra a economia ilícita e os atores criminosos", explicou.

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