"É o projeto do século": China constrói maior barragem hidroelétrica do Mundo
á o risco de inundações e milhares terão de se deslocar.
A China já está a construir aquela que será a maior barragem hidroelétrica do Mundo, localizada no rio Yarlung Tsangpo, no Tibete.
O objetivo é que a Estação Hidroelétrica de Motuo comece a funcionar em 2033. “É o projeto do século”, diz o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.
Assim que estiver construída, vai superar a das Três Gargantas - localizada no rio Yangtzé, no centro da China, atualmente a maior do Mundo.
A nova barragem terá cinco centrais hidroelétricas em cascata com capacidade para produzir 300 milhões de quilowatts por hora de eletricidade por ano, ou seja, seis vezes mais energia que o consumo anual de Portugal.
O megaprojeto vai custar cerca de 144 mil milhões de euros e faz parte do esforço da China para expandir as energias renováveis e reduzir as emissões de carbono. Vai estimular as indústrias como a engenharia e vai criar uma série de empregos.
No entanto, a obra está envolta em polémica, desde que foi anunciada em 2020, uma vez que levanta questões ecológicas e biológicas. Além disso, será construída num local sagrado para os budistas tibetanos, num vale próximo à montanha Namcha Barwa, obrigando a milhares a deslocarem-se. Também poderá ter um impacto significativo para milhões de pessoas que vivem a jusante, na Índia e no Bangladesh. O rio Yarlung Tsangpo atravessa o planalto tibetano e desce até à Índia, onde é conhecido como Brahmaputra, antes de chegar ao Bangladesh, onde forma o rio Jamuna.
Megaprojeto preocupa Índia e Bangladesh
A Índia e o Bangladesh, por onde o rio Yarlung Tsangpo também passa, já alertaram para o aumento do risco de secas e inundações. Receiam também que a China possa usar o controlo da barragem para reter ou desviar o curso do rio, colocando em risco ecossistemas, agricultura e comunidades inteiras.
Os ambientalistas também já alertaram para o impacto irreversível que o projeto pode ter no planalto tibetano, região ecologicamente sensível, e que milhões de pessoas a jusante enfrentarão graves perturbações nos seus meios de subsistência. Além destas preocupações, os especialistas também alertam para o risco de construção de infraestruturas desta dimensão numa zona propensa a sismos. Por sua vez, as autoridades chinesas defendem que o projeto não terá um impacto significativo no ambiente ou no abastecimento de água a jusante.
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