Escola de ioga utilizada para culto sexual leva mulheres para a prostituição na Argentina
Buenos Aires Yoga School é acusada de coagir algumas das integrantes a prostituírem-se e de lavar os lucros em bens imobiliários.
Sob um negócio de fachada de uma escola de ioga, as autoridades argentinas descobriram aquilo que seria um culto sexual que empurrou várias mulheres para a prostituição. A Buenos Aires Yoga School tinha a promessa de levar os seguidores à salvação espiritual. Agora, é acusada de coagir algumas das integrantes a prostituírem-se e de lavar os lucros em bens imobiliários, avança o New York Times.
Juan Percowicz, o fundador, era um contabilista com um passatempo paralelo invulgar. Dava aulas de autoajuda com uma forte dose de filosofia antiga e espiritualismo. Dado o sucesso das suas sessões, criou a organização Buenos Aires Yoga School e por mais de três décadas dirigiu a escola, onde dava palestras e aulas de autoajuda.
Aos 85 anos Juan Percowicz e mais de uma dezena de membros da organização estão a enfrentar acusações criminais por serem suspeitos de dirigir um "culto sexual" e não uma escola de ioga. De acordo com a acusação, a organização explorava e drogava algumas das integrantes, forçando-as a vender o corpo e gerando assim centenas de milhares de dólares mensais. Os clientes eram maioritariamente argentinos e norte-americanos e algumas das vítimas eram ainda menores quando entraram na organização.
Apesar de nenhum membro da organização ter afirmado que foi forçado a prostituir-se, vários relataram um controlo excessivo por parte do líder, que se descrevia como uma 'espécie de Deus'.
Percowicz foi detido em 2022 e durante as diligências foram encontrados mais de um milhão de dólares, cinco barras de ouro, filmes pornográficos, livros de cheques bancários americanos e dossiês sobre indivíduos ricos.
As notícias relativas aos crimes chocaram o país sul-americano, mas algumas famílias pareciam já ter conhecimento de algumas situações suspeitas na organização. Na década de 90, Percowicz e a sua escola ganharam destaque na comunicação social depois de uma família argentina ter acusado a organização de fazer uma lavagem cerebral à filha. Durante a investigação, alguns ex-integrantes revelaram terem sido forçados a trabalhar como "escravos".
Segundo os investigadores, na época a Argentina ainda não tinha leis sobre o tráfico de pessoas ou lavagem de dinheiro sólidas, porque o sistema judicial estava a ser reformulado após o fim da ditadura militar. Devido a esse constrangimento, o caso foi arquivado.
Atualmente, com leis atualizadas, os procuradores estão novamente a visar Percowicz numa nova investigação que examina as operações da escola que remontam a 2004.
Até ao momento, todos os visados na investigação negam qualquer envolvimento nos crimes.
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