Estado angolano gasta anualmente mais de 38 mil milhões de euros em hemodiálise

Do universo de cerca de 30.000 pacientes apenas 1.621 fazem hemodiálise.

21 de junho de 2019 às 15:34
Kwanzas Foto: Getty Images
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O Governo angolano gasta por ano 15 biliões de kwanzas (38,8 mil milhões de euros) no tratamento de 1.621 doentes que fazem hemodiálise, informou esta sexta-feira a ministra da Saúde de Angola.

Sílvia Lutucuta falava à imprensa no final da plenária da Assembleia Nacional, que aprovou esta sexta-feira, na generalidade, a Proposta de Lei sobre Transplantes de Tecidos, Células e Órgãos Humanos, depois de 15 anos da sua preparação.

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A governante angolana disse que anualmente são alocados cerca de 12% do orçamento destinado à Saúde para o tratamento de doentes com hemodiálise, salientando que um transplante, dependendo do tipo de necessidade e as condições, pode custar entre 50.000 a 200.000 dólares (44 mil a 176 mil euros).

"Mas um doente por ano custa muito mais do que isso. Nós com os 1.621 doentes, que por ano fazem hemodiálise, são 15 biliões de kwanzas", exemplificou a ministra.

Na apresentação da proposta de lei aos deputados, Sílvia Lutucuta disse que o diploma legal visa essencialmente acompanhar a evolução da ciência, da tecnologia, posta à disposição da humanidade para o tratamento de pacientes através de transplantes, mas sobretudo leva em consideração o cada vez maior número de doentes com insuficiência renal no país.

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Segundo a ministra, estes doentes são diariamente submetidos, e de forma provisória, ao tratamento de diálise, podendo beneficiar de outro tipo de terapia de substituição da função renal, nomeadamente o transplante renal.

"O aumento de casos de doentes no território nacional com patologias hemato-oncológicas, linfomas, leucemias, anemias de células falciformes, aplasias medular, cujo único tratamento eletivo consiste no transplante do progenitor", configura igualmente uma preocupação para as autoridades, que pode ser aliviada com o início de transplantes no país.

"Atualmente a mortalidade causada por estas doenças em Angola é preocupante e os custos relacionados com a evacuação e tratamento no exterior são elevados, impossibilitando, na maioria dos casos, o seu tratamento", realçou a ministra.

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A titular da pasta da Saúde em Angola apontou ainda como objetivos o recurso aos transplantes para a reabilitação visual das cicatrizes de córnea, decorrente de doença infecciosa, particularmente na infância, nomeadamente o sarampo, desnutrição, úlceras infecciosas da córnea, traumatismos oculares, entre outras, que ameaçam de forma permanente a visão ou o globo ocular, sendo presentemente umas principais causas de evacuação em oftalmologia.

Sílvia Lutucuta referiu que já existem em Angola médicos nacionais treinados para fazer transplante, não apenas o renal, mas de outros tipos como da medula óssea, do fígado, entre outros.

"Já temos alguns profissionais com experiência em histocompatibilidade, porque só vamos ter um laboratório a nível nacional para testes de histocompatibilidade, primeiro, para ver se há compatibilidade entre dador e recetor e, por outro lado, também para fazer o seguimento do doente e avaliar e monitorar o doente, para evitar a rejeição do órgão", frisou.

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De acordo com a governante angolana, as estatísticas mundiais indicam que em cada milhão de habitantes, 10 mil pessoas todos os anos entram em tratamento dialítico, o que exportando para a realidade angolana seriam para os cerca de 30 milhões de habitantes, 30 mil novos casos por ano.

Além dos problemas renais, Angola sofre com outra doença muito comum entre a população, designadamente a anemia de células falciformees.

"A estimativa é de que 1% da população tem a forma mais grave , SS, de anemia de células falciformes, e estamos também a falar numa estimativa duma taxa de natalidade tão elevada. No nosso seio, também milhares de crianças nascem com anemia e células falciformes e com complicações muito graves e que em algumas circunstâncias o único tratamento para estas crianças, e até curativo, seria mesmo o transplante", sublinhou.

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A ministra disse que acresce-se a este quando, a existência de algumas doenças no país que colocam as pessoas numa situação de maior risco de evoluir para a insuficiência renal, nomeadamente a hipertensão arterial, a diabetes e doenças infecciosas, como a malária.

Um centro de referência nacional vai ser criado para os transplantes, disse a ministra, avisando que não é permitida a sua realização em qualquer unidade hospitalar.

"Estamos a trabalhar no sentido de termos a curto prazo condições para a testagem de todos os aspetos à volta da histocompatibilidade e isto é um processo", salientou.

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A ministra anunciou a inauguração, segunda-feira, no Lubango, província da Huíla, de um centro de hemodiálise, um dos cinco que o Governo pretende criar a curto, médio, prazo em outras regiões do país.

Do universo de cerca de 30.000 pacientes apenas 1.621 fazem hemodiálise.

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