"Estive quatro horas no mar. Vim para mudar a minha vida": Abdullah quer ficar no enclave espanhol
Há seis anos que Abdullah tentava sair de Marrocos. Diz que foi bem recebido e que o seu futuro passa por ficar em Ceuta.
“Estive quatro horas no mar. Viemos 10 pessoas da Somália. A polícia não nos causou qualquer problema, pelo contrário, recebeu-nos bem. Disseram-nos para irmos ao médico, depois deram-nos comida. Foi desta forma que me deram as boas vindas a Espanha. Isso purificou o meu coração.” Mohamed Hassan Abdullah, de 25 anos, foi um dos últimos a chegar a Ceuta. Natural da Somália, vive em Marrocos há seis anos e está desde essa altura a tentar passar a fronteira. Ao contrário dos muitos migrantes que continuam na cidade autónoma espanhola, Mohamed Abdullah não quer rumar a nenhum país europeu, mas sim ficar no enclave espanhol. “Tenho muitos sonhos, mas um em particular: conseguir viver aqui, em Espanha. Foi o primeiro país a acolher-me e por isso quero estar aqui. Disseram-nos que seríamos bem vindos, que nos dariam tudo…um passaporte. Por isso, não quero perder mais tempo noutros países. Vim para cá para mudar a minha vida. Há seis anos que tento”, diz ao CM.
Por enquanto, é na praia que Mohamed Abdullah vai permanecer, assim como centenas de migrantes que têm feito do areal a sua casa. Quem esperou seis anos não tem pressa. Um dia de cada vez.
Não se sabe ao certo quanto migrantes permanecem no enclave. As autoridades espanholas dizem que serão dois mil, muitos deles crianças e adolescentes, mas quem aqui vive aponta outros números. “Dizem que estão cá duas mil pessoas, mas estão cá mais de 10 mil. Acho que não vão voltar. Estão a receber comida, bebida...até telemóvel novo. Estão no paraíso”, conta ao CM um português, natural de Mirandela, a viver em Ceuta há 15 anos. “Nunca vi a cidade assim. Está o caos. A culpa é de Marrocos, que abriu as fronteira. Pedro Sánchez tem alguma culpa, mas a culpa não é totalmente dele. Vivia tranquilo. Agora tenho medo”, confessa.
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