Estudantes ameaçados e obrigados a trabalhar 10 horas por dia para fabricar aparelho da Amazon
"Estagiários" são contratados como tentativa ilegal de atingir metas de produção.
Centenas de estudantes foram obrigados a trabalhar durante a noite e a fazer horas extra para produzir dispositivos Alexa da Amazon na China.
Vários documentos investigados pelo The Guardian, revelam que os adolescentes são recrutados de escolas e faculdades da cidade de Hengyang, no sul do País, para compensar o número de funcionários necessários durante os períodos de maior produção.
Os mais de mil "estagiários" empregados são encorajados pelos professores, pagos pela fábrica, para fazer horas extra de trabalho.
"Trabalho 10 horas por dia, todos os dias, é muito cansativo"
Em entrevista ao jornal britânico, a jovem desabafa sobre as largas horas que passa fechada numa oficina onde as "luzes são muito intensas".
"No início, não estava muito habituada a trabalhar na fábrica e agora, depois de trabalhar por um mês, adaptei-me com relutância ao emprego. Trabalhar 10 horas por dia, todos os dias, é muito cansativo", relata.
A jovem estudante foi informada pela professora que iria trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana, mas na realidade trabalha 10 horas por dia (incluindo duas horas extras) seis dias por semana.
"Tentei dizer ao gerente que não queria trabalhar horas extra. Mas ele falou com a minha professora e ela disse-me que se não fizesse, iria afetar a minha candidatura à faculdade e à bolsa de estudo. Não tinha escolha, só podia aguentar", revelou.
Foxconn diz que situação se torna uma "oportunidade de ganhar experiência e treino em várias áreas"
"Tentei dizer ao gerente que não queria trabalhar horas extra. Mas ele falou com a minha professora e ela disse-me que se não fizesse horas extra, não poderia fazer estágio na Foxconn, o que iria afetar a minha candidatura à faculdade e à bolsa de estudo. Não tinha escolha, só podia aguentar", revelou.
Em comunicado, a Foxconn, empresa que também fabrica iPhones para a Apple, afirma a duplicação "da supervisão e monitorização do programa de estágio com cada escola parceira para garantir que, sob nenhuma circunstância, os estagiários serão autorizados a trabalhar horas extra ou durante a noite".
Os documentos revelam que a Foxconn precisam que os estudantes, que geralmente ficam em dormitórios da fábrica, trabalhem horas extra para atingir as metas de produção. Os que recusam são dispensados, revelam os investigadores.
"Os estagiários que não fazem horas extra não só afetarão a meta de produção, como a sua disposição para trabalhar. Estagiários precisam de fazer horas extra", lê-se num dos documentos que foram divulgados pela ONG China Labour Watch e partilhadas com o The Guardian
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt