Etiópia recusa renovar acreditações de três correspondentes da Reuters

Decisão é descrita como um "sinal preocupante para a liberdade de imprensa no país".

13 de fevereiro de 2026 às 22:52
HRW condena detenções de jornalistas na Etiópia e pede respeito pela liberdade de imprensa Foto: Jackson Njehia/AP
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As autoridades etíopes recusaram renovar as acreditações de três correspondentes da Reuters, anunciou esta sexta-feira a agência noticiosa, numa decisão qualificada de "sinal preocupante para a liberdade de imprensa no país" pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

A Reuters não indicou a razão desta decisão das autoridades de Adis Abeba, mas esta surge poucos dias após a publicação de uma investigação da agência que afirma que a Etiópia acolhe no seu território uma base de treino das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), uma milícia paramilitar que combate desde 15 de abril de 2023 o exército regular no vizinho Sudão.

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Contactadas pela agência France-Presse (AFP) sobre estas alegações, as autoridades etíopes não responderam.

"O Governo etíope retirou a acreditação da Reuters para a 39.ª cimeira da União Africana - que decorre a 14 e 15 de fevereiro - e não renovou a acreditação de três jornalistas da Reuters sediados em Adis Abeba para trabalharem no país", afirmou um porta-voz da agência.

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"A Reuters está atualmente a analisar a questão e continuará a cobrir a Etiópia de forma independente, imparcial e fiável", acrescentou.

Contactado pela AFP, um membro da Autoridade Etíope dos Media (EMA), entidade responsável pelas acreditações, afirmou não ter informações sobre o caso.

Esta decisão, classificada como um "sinal preocupante para a liberdade de imprensa", assemelha-se a represálias "contra uma investigação que é manifestamente considerada sensível pelas autoridades", reagiu Sadibou Marong, diretor do gabinete da África Subsaariana dos Repórteres Sem Fronteiras, instando as autoridades a levantarem estas medidas.

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Vários jornalistas foram presos ou viram as suas acreditações retiradas nos últimos meses na Etiópia.

Segundo os Repórteres Sem Fronteiras, que colocam o país na 145.ª posição entre 180 no índice de liberdade de imprensa, cinco jornalistas encontram-se atualmente detidos.

Em dezembro, os jornalistas locais da Deutsche Welle (DW) foram "suspensos definitivamente" e as acreditações dos correspondentes da BBC também não foram renovadas.

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A Etiópia, segundo país mais populoso do continente, com cerca de 130 milhões de habitantes, é governada desde 2018 pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, mas deverá realizar eleições legislativas em 01 de junho.

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