Extrema-direita entra em terceiro governo em Espanha
Novo executivo de Castela e Leão tomou posse esta segunda-feira, liderado por Alfonso Mañueco, do PP, que já era presidente do governo da região autónoma, e com pastas atribuídas ao Vox.
O Vox, partido espanhol de extrema-direita, entrou esta segunda-feira no governo regional de Castela e Leão, o terceiro executivo que integra em Espanha este ano, na sequência de acordos de coligação com o Partido Popular (PP, direita).
Como aconteceu na Extremadura e em Aragão, o Vox entrou no governo regional de Castela e Leão depois de ter imposto um polémico princípio de "prioridade nacional" no acesso a serviços e apoios públicos, com que pretende discriminar imigrantes, nos acordos assinados com o PP.
O novo executivo de Castela e Leão tomou posse esta segunda-feira, liderado por Alfonso Mañueco, do PP, que já era presidente do governo da região autónoma, e com pastas atribuídas ao Vox - a da "vice-presidência, desregulação, família e ajudas sociais", a da "agricultura e desenvolvimento rural" e a do "cultura, turismo e desporto".
Espanha fechou em 17 de maio um ciclo de quatro eleições regionais (Extremadura, Aragão, Castela e Leão e Andaluzia), iniciado no final de dezembro, com o PP, que lidera a oposição nacional ao Governo liderado pelo socialista Pedro Sánchez, a reclamar quatro vitórias amplas a pouco mais de um ano das legislativas nacionais.
O PP venceu as quatro eleições mas sem maioria absoluta e negociou (ou, no caso da Andaluzia, continua a negociar) a viabilização dos governos regionais com o Vox, incluindo o polémico critério de "prioridade nacional", criticado por diversos setores da política e não só, como a Igreja Católica.
Já a esquerda e, sobretudo, o Partido Socialista Espanhol (PSOE), apesar de admitir as derrotas na Extremadura, Aragão, Castela e Leão e Andaluzia, onde foi o segundo mais votado, sublinha que as vitórias do PP foram agridoces, por o partido conservador ter "falhado a estratégia de emancipação do Vox" e ter ficado, nos quatro casos, dependente da formação de extrema-direita.
O caso mais simbólico é o da Andaluzia, a maior região de Espanha em termos de população, onde o PP perdeu a maioria absoluta que tinha.
"Onde o PP precisava do Vox, agora ainda precisa mais. E onde não precisava, passou a precisar", disse em 18 de maio a porta-voz do PSOE, Montse Mínguez, numa conferência de imprensa em Madrid.
A extrema-direita voltou assim este ano a integrar governos em Espanha, depois de, no verão de 2024, o Vox ter abandonado os cinco executivos regionais em que estava com o PP por desentendimentos entre os dois partidos relativamente ao acolhimento de migrantes menores de idade que chegam sozinhos a Espanha a bordo de 'pateras' (embarcações precárias).
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt