Família ainda procura quatro dos 10 filhos e netos mortos nas cheias em Moçambique
Cheias de janeiro no país mataram um total de 27 pessoas e afetaram quase 725 mil.
A família Nuvunga, que perdeu 10 membros em naufrágio a fugir das cheias em Maputo, sul de Moçambique, ainda não recuperou quatro dos corpos em falta, um mês após a tragédia de janeiro, disse à Lusa o patriarca.
"Ainda não encontrámos os restantes quatro corpos. Continuamos as buscas também nas matas, com ajuda das pessoas", explicou Elevação Nuvunga, que perdeu dois filhos, sete netos e uma nora durante as cheias que fustigaram o sul de Moçambique.
O patriarca, de 63 anos, perdeu os 10 membros da sua família em 17 de janeiro, nas inundações na Ilha Mariana, na província de Maputo, após aproveitar um barco para meter filhos e netos, na esperança de chegarem a terra, em Palmeiras, a 100 quilómetros de Maputo, onde estava o resto da família.
Entretanto, o barco a remos em que seguiam naufragou, matando 10 pessoas da família Nuvunga, seguindo-se buscas em que só foram recuperados seis corpos. O registo oficial das cheias de janeiro em Moçambique aponta para 27 mortos, sendo que 10 são a família de Elevação Nuvunga.
Passado um mês, a família continua em buscas, agora "um dia sim e um dia não", mas queixa-se de dificuldades porque o nível das águas baixou e, além do rio, tem de procurar os familiares nas matas, com o caniçal já alto.
"Quando vamos num dia como hoje, no dia seguinte descansamos porque a distância ficou maior para seguir a pé. Estamos ainda a procurar, talvez os encontremos", concluiu Nuvunga.
Só as cheias de janeiro mataram um total de 27 pessoas e afetaram quase 725 mil.
Na passada sexta-feira, Moçambique foi atingido pelo ciclone tropical intenso Gezani, causando quatro mortos, cinco feridos e mais de 6.100 pessoas afetadas, na província de Inhambane, no sul de Moçambique, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Desde o início da época chuvosa, em outubro, o país africano registou 228 óbitos e mais de 863 mil afetados, segundo atualização do INGD.
Moçambique enfrenta, ciclicamente, cheias e ciclones tropicais durante a época das chuvas, além de períodos prolongados de seca severa, sendo, por isso, considerado um dos mais afetados pelas alterações climáticas globais.
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