Flávio aceita desafio de Lula e vai mostrar contas bancárias

Candidatos tinham até à meia-noite desta quinta-feira para tornar públicos os registos bancários, fiscais e telefónicos.

23 de outubro de 2026 às 01:30
Registos são publicados na reta final da campanha na segunda volta Foto: Getty Images
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Após vários dias de renhida guerra de narrativas, Flávio Bolsonaro e Lula da Silva, que no domingo vão disputar a segunda volta das presidenciais, chegaram esta quinta-feira a acordo para o levantamento dos seus sigilos bancários, fiscais e telefónicos e respetiva divulgação numa plataforma de acesso público, para, como frisou Lula ao fazer o desafio ao adversário, "o povo ver quem é ladrão". O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana, em representação de Lula, que mostrou aos jornalistas o documento em que os candidatos pedem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que valide o acordo.

“Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, candidatos à presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos”, lê-se no documento, assinado por Lula da Silva e por Maria Cláudia Bucchianeri, advogada de Flávio.

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No documento, os dois candidatos pediam ao relator do caso no TSE, juiz André Mendonça, que solicitasse com carácter de urgência os dados bancários, fiscal e telefónico ao Banco Central, ao Fisco e às operadoras, para que pudessem ser divulgados até às 23h59 desta quinta-feira, 3h59 da madrugada desta sexta-feira em Lisboa. Além dos sigilos de Lula e de Flávio, o acordo prevê ainda o levantamento dos sigilos dos familiares mais próximos, incluindo as mulheres de ambos, os pais e os irmãos de Flávio e os filhos de Lula, além das empresas a que estejam ligados e, no caso do governante, de assessores exonerados recentemente por suspeita de corrupção.

O desafio foi feito por Lula a Flávio no debate da TV Bandeirantes, no domingo, e ao longo da semana transformou-se na sua principal arma contra o adversário, que inicialmente hesitou em aceitá-lo. Após dias de silêncio, Flávio acabou por aceitar o desafio mas impôs uma série de exigências, incluindo a divulgação das contas bancárias da mulher de Lula, Janja, muito criticada pelos seus gastos. Todas as condições foram aceites pelo presidente, abrindo caminho ao acordo.

Lula, que é frequentemente acusado de corrupção, fez o desafio alegando que não está mais disposto a ser chamado de ladrão a cada nova disputa eleitoral. E desafiou Flávio, a quem por seu turno acusou de irregularidades, para, alegou, "o povo saber quem é o verdadeiro ladrão".

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Mais de 800 queixas na justiça eleitoral

A agressividade da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva não se limitou às ruas e às redes sociais e atingiu em cheio o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sufocado por uma enxurrada de centenas de queixas de uma campanha contra a outra. Juízes titulares e auxiliares, juristas e técnicos têm feito um esforço concentrado para analisar cada uma delas, mas a expectativa é que as mais complexas demorem anos para ser decididas e só fiquem resolvidas muito para lá da tomada de posse do próximo presidente. Até agora, o TSE contabilizou 804 queixas, reclamações e protestos sobre variados temas da campanha eleitoral, a maior parte relacionada com conteúdos nas redes sociais, apresentadas, na sua maioria, pelas candidaturas de Flávio e de Lula. Esse número é mais do que o dobro das 325 ações apresentadas ao TSE nas presidenciais de 2022. Além das ações que abordam temas mais simples do dia a dia, pedindo a supressão de conteúdo ofensivo, de notícias falsas ou solicitando direito de resposta, o tribunal recebeu também 14 pedidos das duas campanhas para instauração de Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), muito mais graves do que as anteriores. Estas ações denunciam alegados crimes eleitorais graves que podem levar à anulação de uma candidatura ou à inelegibilidade de um candidato, como sucedeu com Jair Bolsonaro mesmo após ser derrotado por Lula em 2022. Dessas ações, seis foram apresentadas por Lula da Silva pedindo a anulação da candidatura de Flávio, e outras oito pelo senador pedindo a mesma punição para Lula, mas não devem ter qualquer efeito na segunda volta deste domingo. Juristas das duas campanhas estimam que essas ações, devido à sua complexidade, só tenham algum desfecho daqui a mais de dois anos, quando o eleito, seja ele quem for, já estiver a meio do seu mandato.

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