Forças armadas de Cuba estão a preparar-se para possível ataque militar dos EUA

Tensões entre os Estados Unidos e Cuba intensificaram-se este ano, após a captura do anterior Presidente da Venezuela.

22 de março de 2026 às 17:35
Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba Foto: Ramon Espinosa/AP
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O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou este domingo que as forças armadas do país estão a preparar-se para uma possível agressão militar dos Estados Unidos da América.

"As nossas forças armadas estão sempre preparadas e, de facto, nestes dias, estão a preparar-se para a possibilidade de uma agressão militar", disse, numa entrevista ao programa norte-americano "Meet the Press", da NBC News.

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"O nosso país sempre esteve disposto a mobilizar-se como nação no seu conjunto perante uma agressão militar. A verdade é que sempre vimos isso como algo muito distante. Não acreditamos que seja provável, mas seríamos ingénuos se não nos preparássemos", referiu.

As tensões entre os Estados Unidos e Cuba intensificaram-se este ano, após a captura e a detenção do anterior Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, por parte das forças norte-americanas, num ataque em Caracas.

Na altura, Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, alertaram que Cuba poderia ser o próximo país a enfrentar uma intervenção militar norte-americana.

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Na entrevista deste domingo à NBC News, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros cubano vincou que o país não vê “qualquer justificação” para uma eventual ação militar em Cuba, porque o país é pacífico e não representa “nenhuma ameaça” para os Estados Unidos.

Os jornais norte-americanos Miami Herald e The New York Times publicaram nos últimos dias informações indicando que o Governo norte-americano estaria a procurar, no âmbito das negociações com Havana, um substituto para o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, visto como um obstáculo a um entendimento para negociações entre os dois países.

A Casa Branca e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negaram estas informações.

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Também este domingo, num discurso numa reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, disse que Cuba está aberta a um “diálogo sério” com Washington, desde que não haja ingerência na política interna.

O ministro cubano denunciou o recente endurecimento do embargo imposto à ilha, com a Casa Branca a ameaçar impor tarifas a qualquer país que venda petróleo a Cuba.

“A isto acresce a inclusão arbitrária de Cuba na lista unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo, as ameaças de agressão militar e o recente decreto executivo que procura impor um bloqueio total ao nosso fornecimento de combustível, sob a premissa de que as dificuldades económicas e o consequente custo humano forçarão o nosso povo a renunciar à sua soberania e independência”, declarou Bruno Rodríguez.

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