França apresou petroleiro russo depois de capitão ter recusado colaborar
Porta-voz da presidência da Rússia, Dmitri Peskovo, disse esta segunda-feira que a ação das autoridades francesas "roçou a pirataria internacional".
O Ministério Público de Brest, França, disse esta segunda-feira que o capitão do petroleiro, sujeito a sanções europeias e apresado no domingo no Atlântico, se recusou repetidamente a cumprir ordens da Marinha francesa.
A justiça francesa acrescentou que perante as circunstâncias foi necessário "assumir o controlo" da embarcação.
O procurador de Brest, Stéphane Kellenbergero, em comunicado citado pela Agência France Presse (AFP), avançou ainda que o capitão do petroleiro se declarou "de nacionalidade russa".
O Ministério Público francês anunciou também a abertura de um inquérito-crime por falta de provas sobre a nacionalidade da embarcação e da recusa de cumprimento de ordens.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta segunda-feira a apreensão no Atlântico de um petroleiro proveniente da Rússia, sujeito a sanções europeias e suspeito de operar sob pavilhão falso.
"É inaceitável que os navios evitem as sanções internacionais, violem o direito marítimo e financiem a guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia há mais de quatro anos", afirmou o chefe de Estado francês numa mensagem publicada nas redes sociais.
A mesma mensagem foi acompanhada de imagens do momento em que o petroleiro com pavilhão dos Camarões foi apresado pelas autoridades francesas, no domingo.
O porta-voz da Presidência da Rússia, Dmitri Peskovo, disse esta segunda-feira que a ação das autoridades francesas "roçou a pirataria internacional".
Tratou-se do quarto petroleiro da chamada "frota fantasma" utilizada por Moscovo para contornar as sanções ocidentais a ser intercetado ao largo da França desde setembro de 2025.
A abordagem do petroleiro "Tagor", ocorreu a mais de 400 milhas náuticas (aproximadamente 740 km a oeste da Bretanha).
Partindo do porto de Murmansk, no extremo norte da Rússia, o navio dirigia-se para a cidade costeira de Limbe, nos Camarões.
A Marinha de Guerra Francesa determinou que se tratava provavelmente de uma embarcação com pavilhão falso e decidiu realizar a abordagem, conforme permitido pela Convenção de Montego Bay sobre o Direito Marítimo.
O navio, com 23 tripulantes a bordo, está a ser escoltado por embarcações da Marinha de Guerra Francesa até uma área de ancoragem para inspeções adicionais.
Sob sanções impostas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Reino Unido, o navio "Tagor" mudou várias vezes de pavilhão, hasteando as bandeiras de Madagáscar, das Ilhas Marshall e do Panamá.
O "Tagor", suspeito de transportar petróleo russo ou iraniano, apesar das sanções internacionais, pode estar ligado ao magnata do petróleo iraniano Mohammad Hossein Shamkhani, segundo o portal Opensanctions.org, citado pela AFP.
Mohammad Hossein Shamkhani é filho de Ali Shamkhani, um conselheiro próximo do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Ambos foram mortos em fevereiro, no primeiro dia da ofensiva israelo-americana contra o Irão.
O Sistema de Identificação de Navegação (AIS) do navio não transmitiu um sinal indicando a posição durante uma semana.
Nesse momento, o "Tagor" navegava na costa da Noruega, de acordo com o portal Marine Traffic.
A França apresou anteriormente os navios "Deyna" e "Grinch", intercetados no Mediterrâneo em março e janeiro, respetivamente, e o "Boracay" foi apresado em setembro de 2025 na costa da Bretanha.
Os três navios foram apresados e posteriormente libertados, depois de terem pagado multas.
A França anunciou a 08 de abril a intenção de intensificar as penalizações para quem navegar sem pavilhão e se recusar a cumprir ordens, de forma a reforçar o combate à chamada "frota fantasma" russa.
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