Frelimo diz que xenofobia na África do Sul "põe em causa" relações saudáveis

Até 07 de junho, disse, foram repatriados 714 moçambicano da África do Sul.

11 de junho de 2026 às 11:00
Presidente moçambicano, Daniel Chapo Foto: Direitos Reservados
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A comissão política da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) afirma que a "onda de xenofobia" na vizinha África do Sul, em que já morreram nove moçambicanos e mais de 700 foram repatriados, "põe em causa" relações "históricas saudáveis".

No comunicado final divulgado após a 70.ª sessão ordinária daquele órgão, realizada quarta-feira em Maputo e dirigida pelo presidente do partido e chefe de Estado, Daniel Chapo, refere-se que a comissão política da Frelimo "condena a onda de xenofobia que se verifica na República da África do Sul, caracterizada por violência contra imigrantes, incluindo os moçambicanos".

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"Situação que põe em causa os esforços coletivos em manter relações históricas saudáveis, entre os dois países, a região Austral de África e continente africano, em geral", lê-se na posição.

Por outro lado, aquele órgão do partido no poder em Moçambique desde 1975 "destaca as ações das autoridades moçambicanas, através das suas missões consulares" na África do Sul e órgãos de gestão de desastres no país: "Que têm estado a levar a cabo em prol da assistência aos cidadãos moçambicanos vítimas de xenofobia, com destaque para o repatriamento de mais 700 cidadãos moçambicanos para as suas províncias de origem".

O Governo moçambicano admitiu na terça-feira preocupação com o "recrudescimento do discurso anti-imigração" na vizinha África do Sul, receando o agravamento da situação até final do mês, após o regresso de 714 cidadãos ao país nos últimos dias.

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"Preocupam-nos com alguma atenção, neste momento, o recrudescimento do discurso anti-imigrante na África do Sul, o que poderá resultar no risco do seu agravamento até o final deste mês. Por isso, o nosso Governo continuará atento para proteger, assistir, integrar as pessoas que sofrerão desta situação", disse o porta-voz da reunião do Conselho de Ministros realizada nesse dia, em Maputo, Ussene Isse.

Acrescentou que o Governo, nessa reunião, "apreciou a situação de xenofobia na África do Sul e os desenvolvimentos sobre a situação dos moçambicanos afetados", que já provocou nove mortos entre centenas de cidadãos moçambicanos no país vizinho, sobretudo na província sul-africana de Cabo Ocidental, no final de maio.

Até 7 de junho, disse, foram repatriados 714 moçambicano da África do Sul, encaminhados para as províncias de origem, como Gaza (392), Maputo (161) ou Inhambane (119).

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"A maioria dos afetados são jovens em situação documental irregular e dependentes do setor informal que reportam a perda de bens e documentos durante os atos de violência. Importa referir que não há registo de estudantes moçambicanos entre as vítimas dos incidentes reportados", afirmou Isse, garantindo ainda que o Governo está a assegurar o processo de transladação dos corpos dos moçambicanos que morrerem nestes ataques.

Avançou igualmente que os ministros de diferentes áreas dos governos de Moçambique e da África do Sul "mantêm contacto", com vista "à solução do problema da xenofobia, mantendo sempre o apelo ao diálogo".

"O Governo apela a todos os moçambicanos que se sintam em situação de perigo para contactar a missão diplomática dos consulados de Moçambique na África do Sul e mobiliza a todos os cidadãos a fazer uma imigração legal aos países vizinhos, para reduzir a situação de vulnerabilidade neste tipo de situações. Porque isto traz impactos sociais, impactos políticos", concluiu Isse.

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Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, sobretudo trabalhadores nas minas e agricultura.

Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias.

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