Governo cabo-verdiano vai pagar funerais das 25 vítimas de acidente na ilha do Fogo
Estado vai suportar também as despesas de deslocação de familiares de primeiro grau que tenham de viajar da cidade da Praia para o Fogo e a trasladação de uma das vítimas para a capital.
O Governo cabo-verdiano anunciou este domingo que vai pagar os funerais das 25 vítimas do despiste de um autocarro na ilha do Fogo, bem como as deslocações para a ilha das famílias afetadas pelo acidente ocorrido no sábado.
A informação foi avançada este domingo pelo ministro da Saúde, Lúcio Miranda, citado pela Agência Cabo-verdiana de Notícias (Inforpress), após uma reunião do gabinete de crise criado na sequência do acidente.
Além dos funerais, o Estado vai suportar as despesas de deslocação de familiares de primeiro grau que tenham de viajar da cidade da Praia para o Fogo e a trasladação de uma das vítimas para a capital, segundo o governante.
"Temos de dar o maior apoio possível nos próximos dias", afirmou Lúcio Miranda, acrescentando que o Governo está a trabalhar com a Câmara Municipal de São Filipe para identificar as necessidades das famílias.
O ministro confirmou 25 mortos e 14 pessoas internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis, quatro das quais em estado grave.
Lúcio Miranda considerou tratar-se do acidente "com maior número de vítimas mortais registado num único dia em Cabo Verde", destacando que a maioria das vítimas são adolescentes.
O Governo mobilizou para o Fogo uma equipa médica especializada, com elementos provenientes das ilhas de São Vicente e Santiago, para reforçar os profissionais do hospital regional.
A equipa integra especialistas em neurocirurgia, cirurgia, cuidados intensivos, anestesiologia e cardiologia, entre outras áreas, além de enfermeiros com experiência em cuidados intensivos.
Segundo o ministro, a equipa deverá reforçar a assistência aos doentes, permitir diagnósticos mais precisos e avaliar os casos que necessitem de evacuação médica para Santiago ou outros centros com maior capacidade de resposta.
Cabo Verde decretou dois dias de luto nacional.
A Cruz Vermelha de Cabo Verde também mobilizou uma equipa de emergência pré-hospitalar, constituída por médicos, enfermeiros e tripulantes, que já se encontra na ilha para apoiar as operações de socorro e prestar assistência às pessoas afetadas.
O autocarro, que transportava alunos que regressavam de um passeio, saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.
A maioria das vítimas são crianças e jovens.
O delegado do Ministério da Educação em São Filipe, José Pedro Gonçalves, esclareceu à Inforpress que o passeio não foi organizado no âmbito das escolas.
Segundo explicou, tratava-se de uma atividade que o condutor habitualmente organizava todos os anos com alunos que transportava durante o período letivo, geralmente no final do ano escolar ou antes do início de um novo ano letivo.
A Inforpress adiantou que, das 25 vítimas mortais, 20 morreram no local do acidente e cinco no Hospital Regional São Francisco de Assis.
Sete das vítimas foram sepultadas durante a noite, enquanto os funerais de outras vítimas decorrem este domingo.
O Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde manifestou profundo pesar pelo acidente e afirmou estar a articular com as autoridades nacionais para apoiar a resposta às necessidades das vítimas e das pessoas afetadas.
"As Nações Unidas estão operacionais e continuarão a articular com o Governo de Cabo Verde e as autoridades locais, colocando à disposição a sua capacidade técnica e apoio financeiro através das suas agências, contribuindo para uma resposta coordenada na sequência desta tragédia", acrescentou.
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