Governo de Trump quer que morte por eutanásia de Noelia Castillo seja investigada
Jovem espanhola morreu a 26 de março. Ficou paraplégica e tinha sido vítima de abusos sexuais.
A morte por eutanásia de Noelia Castillo não está a ser apenas contestada em Espanha. Do outro lado do Oceano Atlântico, os Estados Unidos da América exigem explicações sobre o pedido que a jovem de 25 anos fez, em 2024, para a morte medicamente assistida ter sido aceite e concluída no passado dia 26 de março (dia em que Noelia morreu).
Segundo o New York Post, os EUA terão pedido à embaixada norte-americana em Madrid, capital espanhola, para abrir uma investigação sobre a atuação das autoridades espanholas em relação aos abusos sexuais de que Noelia Castillo terá sido vítima. Noelia foi negligenciada pelos pais e, por isso, esteve desde os 13 anos sob tutela do governo catalão. Em 2022 foi vítima de violação em grupo e, depois deste episódico, tentou terminar com a sua própria vida - a espanhola a atirou-se de um quinto andar, sobreviveu, mas ficou paraplégica.
A dependência de terceiros, as dores intensas e o sofrimento psicológico terão levado Noelia a procurar a eutanásia.
“Estamos profundamente preocupados com as alegações de que a Sra. Castillo foi repetidamente agredida sexualmente enquanto estava sob os cuidados do Estado e que nenhum dos agressores foi levado à justiça”, lê-se no comunicado citado pelo New York Post. Os EUA consideram que podem ter existido "falhas no sistema de proteção a pessoas vulneráveis".
Neste processo, os EUA levantam preocupações sobre os direitos humanos, justificando que na fase final do processo Noelia Castillo mostrou dúvidas em avançar com o processo, mas "foram ignoradas. "“Este caso levanta sérias preocupações sobre a aplicação da lei de eutanásia na Espanha, particularmente em casos que envolvem condições psiquiátricas e sofrimento não terminal”, acrescentam na nota enviada à embaixada.
A eutanásia de Noelia Castillo levou a fundação espanhola de advogados cristãos a apresentar uma queixa ao Tribunal de Primeira Instância de Barcelona contra a médica que foi responsável pelo processo da morte medicamente assistida da jovem. A fundação acusa a profissional de "prevaricação e conflito de interesses", uma vez que a médica é responsável pela entidade pública de transplantes espanhola Consorci Sanitari Alt Penedès-Garraf e Noelia Castillo tinha expressado vontade em doar órgãos e tecidos.
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