Jovem sofria de dores constantes e um intenso sofrimento psicológico, como relataram os peritos destacados para todo o processo.
Noelia Castillo morreu esta quinta-feira após ser submetida à eutanásia, num processo que durou mais de um ano e meio, entre recursos judiciais apresentados pelo próprio pai e por uma Associação ultra-religiosa de advogados que se opunha à morte assistida. Cinco tribunais rejeitaram todos os pedidos feitos. "Quero partir em paz e deixar de sofrer", disse a jovem durante uma entrevista a um programa de televisão realizada na terça-feira.
Noelia Castillo ficou sob tutela do governo catalão aos 13 anos, depois de vários episódios de negligência por parte dos pais. Depois de outros episódios de abuso, em 2022 a jovem foi vítima de uma violação em grupo e tentou o suicídio ao atirar-se de um quinto andar de um prédio, ficando paraplégica. Foi em julho de 2024 que solicitou a eutanásia, aprovada pela Comissão responsável pelos pedidos do processo da morte medicamente assistida, preenchendo os requisitos legais necessários para a receber.
"Espero finalmente poder descansar, porque não aguento mais esta família, a dor, não aguento mais todo o tormento mental que tenho sofrido", declarou a jovem durante a entrevista de despedida.
A jovem sofria de dores constantes e um intenso sofrimento psicológico, como relataram os peritos destacados para todo o processo. A condição de Noelia foi considerada “não recuperável”, com "dependência grave, dor e sofrimento crónico e incapacitante", de acordo com o El País.
Noelia passou as últimas horas de vida acompanhada da mãe e outros familiares na casa de repouso onde morava, segundo o El País. A jovem pediu para que o processo fosse realizado no quarto da residência, a sua "zona de conforto" e o lugar onde se sentia "mais protegida".
Na véspera da morte, a Associação ulta-religiosa Advogados Cristãos convocou uma vigília à porta da casa de repouso onde Noelia se encontrava e, esta quinta-feira, depositaram de flores na sede da Direção-Geral de Prevenção e Proteção da Infância e Adolescência (DGPPIA), o órgão governamental catalão responsável pela proteção infantil e que tutelou Noelia durante um período da infância da jovem.
O caso da jovem de 25 anos voltou a reacender o debate sobre o direito à morte medicamente assistida, com elementos do Governo espanhol a tomarem uma posição, assim como diversas figuras públicas. O subsecretário para a política territorial catalã classificou o caso como "uma falha do Estado e de todos como sociedade". A porta-voz parlamentar do PP, o principal partido de centro-direita conservador espanhol, apontou que o caso deveria levar a que "se repensassem muitas coisas". O Vox também se pronunciou, classificando a eutanásia de Noelia como uma "execução", enquanto o governo catalão referiu respeitar a vontade da jovem.
Desde que a Espanha adotou a lei da eutanásia para pacientes com doenças incuráveis de longa duração ou com condições insuportáveis permanentes, 1.123 pessoas receberam a morte medicamente assistida até ao final de 2024, de acordo com o Ministério da Saúde espanhol.
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