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"Não aguento mais as dores”: Noelia Castillo vai morrer por eutanásia

Jovem de 25 anos ficou paraplégica em 2022. O desejo de morrer vai concretizar-se esta quinta-feira, com um protocolo rígido. Pai opôs-se à decisão em tribunal.

26 de março de 2026 às 13:36

Noelia Castillo, jovem espanhola de 25 anos, já esperou 601 dias para concretizar a sua decisão de recorrer à eutanásia, um direito que lhe tinha sido legalmente reconhecido desde julho de 2024. O seu caso tornou-se polémico em Espanha após uma longa batalha judicial travada contra a oposição do próprio pai, que tentou impedir o procedimento até às últimas instâncias.

Se tudo correr como planeado, Noelia Castillo deverá morrer esta quinta-feira. O processo de eutanásia dura cerca de 15 minutos e consiste na administração de três fármacos diferentes.

Paraplégica desde 2022, na sequência de uma queda, Noelia Castillo vivia com dores constantes e sofrimento psicológico intenso. A sua condição foi considerada “não recuperável”, com “dependência grave, dor e sofrimento crónico e incapacitante”, cumprindo assim todos os critérios legais para aceder à morte medicamente assistida, de acordo com o jornal El País.

Apesar da aprovação unânime pelas autoridades de saúde da Catalunha, o processo foi suspenso por ordem judicial após contestação familiar. Seguiu-se um percurso inédito nos tribunais espanhóis, passando por várias instâncias, incluindo o Tribunal Supremo e o Tribunal Constitucional, que acabaram por confirmar a legalidade da decisão de Noelia Castillo e o seu direito à autodeterminação.

Durante esse período, a jovem denunciou o impacto emocional da situação, agravado pelo conflito familiar. “A ver se posso descansar porque não aguento mais com esta família, não aguento mais as dores, não aguento mais tudo o que me atormenta na cabeça do que vivi”, afirmou numa entrevista.

A relação com o pai foi particularmente tensa. Noelia acusou-o de incoerência ao tentar impedir a sua decisão enquanto mantinha uma postura distante: “Não me liga nem me escreve nunca. Porque é que me quer viva, para me ter num hospital?”.

Noelia vive longe dos pais desde os 13 anos, sob tutela da Generalitat da Catalunha, em centros de acolhimento para menores.

A jovem decidiu enfrentar o momento final sozinha, reafirmando a sua autonomia até ao fim: “Não quero ninguém lá dentro, não quero que me vejam a fechar os olhos”. 

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