Ministro Augusto Silva diz que "o tempo acabou" para Maduro na Venezuela
Governo português defende a "realização de eleições livres e justas" na Venezuela
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afirmou esta quarta-feira o seu pleno respeito "à vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro "compreenda que o seu tempo acabou".
"Apelamos para eleições livres, para que Maduro compreenda que o seu tempo acabou, porque não pode ignorar a vontade do povo e a Assembleia Nacional tem de ser respeitada", disse o ministro à Lusa.
Santos Silva acrescentou "subscrever inteiramente" a declaração da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, "preparada entre Estados-membros", que renova o "apelo para que não haja violência e que seja plenamente respeitada a vontade inequivocamente manifestada hoje pelo povo venezuelano para a realização de eleições livres e justas".
Governo português defende eleições
Portugal defendeu, esta quarta-feira, a "realização de eleições livres e justas" na Venezuela, considerando que a vontade que as mesmas acontença foi "inequivocamente manifestada" pelo povo venezuelano. Antes, o Governo também já que seja respeitada a legitimidade da Assembleia Nacional da Venezuela e o direito à manifestação pacífica, depois de o líder do parlamento, o opositor Juan Guaidó, se ter autoproclamado Presidente interino. A posição do Executivo foi tornada pública numa publicação na página de Twitter do Ministério dos Negócios Estrangeiros. "Portugal apoia integralmente a declaração da Alta Representante [ndr: Federica Mogherini] em nome de toda a UE. Renovamos o apelo para que não haja violência e que seja plenamente respeitada a vontade inequivocamente manifestada hoje pelo povo venezuelano para a realização de eleições livres e justas", lê-se na referida rede social. "Os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo o seu presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados", apelou Mogherini."Levantemos a mão, hoje 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um governo de transição e eleições livres", disse o presidente do parlamento venezuela, perante milhares de opositores de Maduro.O chefe de estado reagiu, pouco depois, garantindo que continua a ser o líder legítimo do país e acusando a oposição de estar a fomentar golpes imperialistas. "Só o povo dá, só o povo tira", disse, questionando: "Pode autoproclamar-se presidente qualquer um? Ou é o povo que escolhe?" Maduro também anunciou o corte de relações diplomáticas com os EUA. Em reação imediata, o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu que vai reconhecer Guaidó como presidente e encorajou outros líderes a fazer o mesmo, como foi acontecendo com o passar das horas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt