Homens ficaram encurralados em caverna quando estavam a procurar ouro

Cinco moradores da província de Xaisomboun, no Laos, foram encontrados com vida. Dois estão desaparecidos. Um escapou e deu alerta.

29 de maio de 2026 às 01:30
Equipa de resgate encontra grupo preso em gruta inundada no Laos Foto: AP
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Foram encontrados com vida cinco dos sete moradores de Long Gian, cidade da província de Xaisomboun, no Laos, que ficaram encurralados no interior de uma gruta. Socorristas e mergulhadores procuram agora resgatá-los das profundezas, uma semana após o alerta para o seu desaparecimento, dado por um elemento do grupo que conseguiu escapar. Falta encontrar dois.

Procuravam ouro quando uma chuva diluviana se abateu sobre a região, provocando cheias repentinas e deslizamento de terras, que bloquearam a saída da caverna e alagaram túneis e câmaras. A primeira preocupação das equipas de resgates foi fornecer-lhe oxigénio, alimentos e medicamentos. Estudam, agora, a forma de os retirar, o que não é fácil, até porque continua a chover com intensidade. Segundo Centro de Comando e Controlo Metta Tham Kalasin, um dos grupos que coordenam o resgate, os socorristas tiveram de percorrer um longo túnel, com passagens lamacentas e muito estreitas, até chegar aos sobreviventes, o que diz bem da complexidade da operação. “O ambiente é extremamente remoto e hostil”, reconhece Mikko Paasi, um mergulhador finlandês envolvido na missão de resgate. Sem experiência de mergulho em gruta, o resgate dos cinco homens só deverá ser possível se ligados a um socorrista. A ansiedade é o maior perigo nestas circunstâncias. “Estão sempre à beira de entrar em pânico e dificultar a vida do resgatador e deles mesmos”, admite Paasi.

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FOTO: Benz Norrased Palasing Seascout Diving via AP
Lugar. Sobreviventes encontram-se num “ambiente remoto e hostil”, segundo um mergulhador da equipa de resgate
FOTO: Benz Norrased Palasing Seascout Diving via AP
Dificuldades. Água lamacenta bloqueia passagens, algumas das quais muito estreitas, o que torna o resgate complexo.
FOTO: Metta Thamkalasinrescue
Preocupação. Equipas de socorro têm fornecido alimentos e bens aos cinco homens que estão presos na gruta
FOTO: Metta Thamkalasinrescue
Cooperação. Missão de resgate envolve operacionais de vários países e de larga experiência em situações similares

E TAMBÉM

Tailândia

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Um dos mergulhadores envolvidos no resgate é o tailandês Kengkard Bongkawong. Já esteve envolvido no resgate, com sucesso, do grupo de 12 jovens futebolistas e do seu treinador numa gruta da Tailândia, em 2018. “O percurso não é complicado, o problema é o espaço. É tão estreito que temos de rastejar e inclinar-nos para passar. Além disso, as rochas são muito afiadas”, disse ao ‘The Guardian’.

Esperança

Após serem encontrados, o grupo preso na gruta enviou mensagens de tranquilidade às famílias, através dos socorristas. “Não precisa de se preocupar, mãe. A equipa de resgate já chegou, estamos seguros”; “Mãe, esposa, filhos, não precisam de se preocupar comigo, permaneçam firmes e fortes”; “Ainda estou forte e bem, daqui a pouco eu saio para te ver”, foram algumas das mensagens enviadas.

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“Não chorem”

Para chegar às vítimas, a equipa de resgate teve de atravessar um túnel com cerca de 340 metros. Há zonas extremamente estreitas, onde a altura não vai além dos 60 centímetros. O momento ficou captado por uma câmara GoPro, onde se ouvem os socorristas dizer: “Não chorem, não chorem!” Na missão de resgate estão envolvidos mais de 100 operacionais, entre os quais 15 mergulhadores. 

‘Javalis Selvagens’ 17 dias presos em gruta

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A comparação entre o drama na gruta do Laos e o que se passou numa caverna da Tailândia, há seis anos, é inevitável. No verão de 2018, uma equipa de 12 futebolistas, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, e o seu treinador também ficaram presos numa gruta de Tham Luan.

Foram apanhados de surpresa por uma chuva forte, que inundou a caverna. Ficaram nove dias sem comer, até serem encontrados por dois mergulhadores britânicos. Demorou mais uma semana até todos voltarem a ver a luz do dia, 17 dias no total. “Não temos a certeza se isto é um milagre, ciência, ou outra coisa qualquer. Todos os 13 ‘Javalis Selvagens’ [nome da equipa] estão fora da gruta”, escreveu, na altura, a unidade de Seals da Marinha tailandesa na sua página de Facebook. Alguns mergulhadores envolvidos neste resgate estão agora no Laos para outra ‘missão impossível’.

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