Investigador da morte de juiz da Lava Jato morre em briga suspeita

Na troca de tiros, que continua envolta em mistério, também perdeu a vida outro delegado.

Material apreendido pela Polícia Federal do Brasil Foto: EPA
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O delegado (inspector) da Polícia Federal responsável pela investigação da morte do ex-relator da operação anti-corrupção Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, juíz Teori Zavascki, foi morto na madrugada desta quarta-feira numa suposta briga. Adriano António Soares, de 47 anos, chefe da Polícia Federal na cidade de Angra dos Reis, no litoral do estado do Rio de Janeiro, foi morto a tiro numa casa nocturna em Florianópolis, no sul do Brasil.

Na troca de tiros, que continuava envolta em mistério até à tarde desta quarta-feira, foi morto também outro delegado, Elias Escobar, chefe da Polícia Federal em Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. O autor dos disparos foi um comerciante de Florianópolis, que ficou ferido e esta tarde estava internado num hospital de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina.

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A suposta briga ocorreu a meio da madrugada no interior da casa nocturna e envolveu várias pessoas, nenhuma delas detida posteriormente, apesar das mortes de dois delegados federais. Adriano e Elias foram executados no lado de fora da casa nocturna, ao deixarem o local quando o desentendimento parecia já estar sanado.

A polícia local não divulgou as circunstâncias da suposta briga, nem como os dois delegados, operacionais experientes e altamente treinados, foram surpreendidos e mortos pelo comerciante. Horas depois do tiroteio, homens armados passaram de carro em frente ao hospital onde o autor das mortes estava internado e fizeram vários disparos contra o edifício.

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Suspeitas 

O avião particular em que Teori ia de São Paulo para Paraty na companhia de vários amigos caiu no mar, a poucos metros da pista do aeroporto da cidade, onde o magistrado ia passar os poucos dias que ainda tinha de férias antes de voltar ao Supremo Tribunal e tomar a difícil decisão de divulgar ou não os depoimentos colaborativos de 77 executivos "arrependidos" da constructora Odebrecht sobre o envolvimento de autoridades com corrupção. Teori só foi resgatado do avião semi-submerso, já sem vida, na madrugada seguinte à queda da aeronave, porque as equipas de resgate enviadas para o local não tinham equipamentos para abrir o aparelho.

Foram pescadores e donos de lanchas de recreio que, por sua conta e risco e com os objectos que tinham à mão, mantiveram o avião a flutuar e tentaram em vão partir as janelas ou abrir a porta para tentar salvar os ocupantes. Pelo menos um dos ocupantes do avião, uma mulher de 27 anos, sobreviveu à queda e por algum tempo falou com as pessoas do lado de fora pedindo desesperadamente que a tirassem dali, mas quando finalmente as despreparadas equipas de socorro chegaram e entraram na aeronave, ela, tal como Teori e os outros ocupantes, já estavam mortos.

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Ameaças

Ainda de acordo com Francisco Zavascki, Teori era constantemente ameaçado de morte e preocupava-se acima de tudo com a segurança da família. Mas as investigações até agora não confirmaram a hipótese de crime na queda do avião, que, de acordo com as autoridades locais, se deveu a erro do piloto provocado pelo mau tempo.

O juíz Edson Fachim, que sucedeu a Teori Zavascki nos processos da Lava Jato, decidiu em Março tornar públicas as denúncias feitas àa justiça pelos "arrependidos" da Odebrecht, provocando o caos na vida política brasileira. Os executivos acusaram directamente as mais altas autoridades brasileiras e outros grandes nomes da política de envolvimento em corrupção, entre eles o presidente Michel Temer, os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, e os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, além de mais de 100 políticos de quase todos os partidos.

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