Irão bate recorde do bloqueio mais longo do acesso à Internet
Atual apagão superou os 72 dias de bloqueio impostos pelas autoridades de Myanmar durante o golpe militar de fevereiro de 2021.
O bloqueio das autoridades iranianas ao acesso à Internet cumpre esta quarta-feira o 75.º dia e é a censura do género mais longa de que há registo, anunciou a organização NetBlocks.
O atual apagão superou os 72 dias de bloqueio impostos pelas autoridades de Myanmar durante o golpe militar de fevereiro de 2021, segundo a organização com sede em Londres que monitoriza o tráfego e a censura na Internet.
"O apagão do Irão é o apagão nacional mais longo de que há registo, e o mais longo deste tipo numa sociedade ligada digitalmente", disse o diretor da NetBlocks, Alp Toker, à agência de notícias espanhola EFE.
Segundo os registos da organização, os bloqueios mais longos a seguir ao do Irão e ao da antiga Birmânia ocorreram no Sudão em junho de 2019 (36 dias) e em outubro de 2021 (25 dias).
O quinto bloqueio mais longo foi aplicado também pelo Irão durante os protestos de janeiro, quando o país desligou a Internet durante 20 dias.
O bloqueio atual começou com a guerra lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
A NetBlocks ressalvou que possui registos de outros incidentes em locais onde o acesso à Internet não estava disponível de forma generalizada, como na Coreia do Norte ou na Líbia.
"Esta censura digital provocou especulação e uma deterioração da segurança digital, uma vez que os planos de Internet 'pro' apoiados pelo Governo e as listas brancas seletivas estão a dar lugar a vigilância, corrupção e burlas", assinalou sobre a situação no Irão.
O país optou por um acesso à rede por níveis, deixando de ser um direito público para se converter num serviço limitado e dispendioso, um modelo que vários meios de comunicação social descrevem como "Internet por classes".
Sob o nome de "Internet Pro", as autoridades iranianas adotaram um sistema aprovado em instâncias superiores ao Governo, como o Conselho Supremo de Segurança Nacional, cuja execução foi entregue ao Centro Nacional do Ciberespaço.
O resultado, segundo o jornal iraniano Shargh, é um esquema de acesso desigual não apenas entre quem tem ligação e quem não tem, mas também entre os próprios beneficiários.
O Governo iraniano tem criticado "qualquer forma de restrição ou discriminação" no acesso à Internet, embora as decisões estejam vinculadas a organismos relacionados com a segurança nacional.
A discriminação no acesso já existia no país, uma vez que alguns utilizadores, especialmente altos cargos políticos, possuem as chamadas "tarjetas brancas", que garantem ligação à Internet sem censura.
As "tarjetas brancas" permitem também que o acesso continue a funcionar em períodos de corte das ligações, o que gera contestação entre a população.
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