Irão ganha novo fôlego contra velhos inimigos

Autoridades de Teerão unem população no desejo de vingança contra a América, Trump e Israel

08 de julho de 2026 às 01:30
Cerimónias fúnebres de Khamenei ajudaram o regime a mostrar unidade Foto: AP
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O caixão do "líder mártir da revolução islâmica", como o aiatola Ali Khamenei é tratado no Irão, chega hoje ao Iraque numa etapa extraordinária do cortejo fúnebre que será acompanhado no país vizinho pelo presidente iraniano. Masoud Pezeshkian viaja para as cidades iraquianas de Najaf e Karbala, duas das mais sagradas para os muçulmanos xiitas, e que a organização do complexo e longo funeral de uma semana ousou fazer passar numa região cheia de simbolismo para os seguidores daquele ramo do islamismo.

Este não foi, porém, o único ato simbólico do funeral do antigo líder supremo iraniano que morreu há quatro meses na sequência dos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão. A circunstância do funeral se realizar tanto tempo depois da morte é incomum na prática muçulmana, mas esta exceção pode justificar-se pelo estado de guerra que o país viveu até há semanas, quando a assinatura de um memorando de entendimento com os EUA trouxe à região uma frágil paz. Nada nestas ambiciosas cerimónias fúnebres foi obra do acaso. A escolha do arranque dos eventos - 4 de julho - coincidiu com a data dos 250 anos da independência dos Estados Unidos e os convites às delegações oficiais estrangeiras que viajaram até Teerão também não foram acidentais. O poder iraniano garantiu a presença de aliados dos EUA, como a Turquia, o Paquistão, Qatar ou Emirados Árabes Unidos e até a Arábia Saudita ou a Jordânia, este dois países com representantes de segunda linha. O objetivo pareceu ser elementar: evitar que a presença de tantos nomes que Israel e Estados Unidos pretendem aniquilar pudesse servir para novos ataques cirúrgicos. A estratégia parece ter resultado. As cerimónias decorreram até agora sem quaisquer incidentes e não é de crer que o cenário se altere até amanhã, altura em que o corpo de Ali Khamenei será finalmente enterrado em Mashhad, o santuário sagrado xiita do Imã Reza. E, sem incidentes, o que emergiu de todas as cerimónias foram gritos em uníssono dos iranianos de "morte à América!" e "morte a Israel!", além das ameaças diretas a Donald Trump e desejos de vingança pela morte de Khamenei e familiares. Neste apelo, o Poder iraniano ganhou pontos e demonstrou unidade a quem esteve em Teerão, pelo menos em relação a estas matérias.

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