Israel segue o exemplo dos EUA e também abandona UNESCO
Nos últimos anos, a organização aprovou várias resoluções muito criticadas por Israel.
Israel anunciou esta quinta-feira que vai sair da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), depois de os Estados Unidos terem decidido o mesmo, condenando o que dizem ser o preconceito anti-israelita.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, "deu instruções ao ministro dos Negócios Estrangeiros para preparar a saída de Israel da organização, paralelamente aos Estados Unidos", informou, em comunicado, o gabinete do chefe do Governo de Israel.
"A UNESCO tornou-se um teatro do absurdo, onde se deforma a história em vez de a preservar", refere a mesma nota.
Governo israelita saúda decisão dos EUA
O Governo israelita saudou esta quinta-feira a saída dos Estados Unidos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), considerando que a decisão mostra que a "discriminação contra Israel" tem um preço.
"A decisão de hoje é um ponto de inflexão para a Unesco. As absurdas e vergonhosas resoluções da organização contra Israel têm consequências", disse em comunicado o embaixador israelita junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Danon.
O diplomata acrescentou: "Hoje é um novo dia para as Nações Unidas; há um preço a pagar pela discriminação contra Israel".
Entretanto, a França -- que acolhe a sede da organização e concorre à sua liderança -- lamentou a decisão norte-americana e considerou que esta decisão dá "um novo significado" à candidatura francesa.
"Lamentamos a decisão norte-americana de se retirar da UNESCO, num momento em que o apoio da comunidade internacional a esta organização é primordial", declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de França, Agnês Romatet-Espagne.
A candidatura francesa à direção-geral da organização "ganha, nestas circunstâncias, um novo significado".
Os EUA anunciaram hoje que se retiram do organismo, invocando "preocupações com os atrasos crescentes na UNESCO, a necessidade de uma reforma fundamental da organização e o permanente preconceito anti-Israel".
Na opinião das autoridades israelitas, a UNESCO tornou-se "um campo de batalha" contra Israel e "ignora o seu verdadeiro papel e objetivo".
Nos últimos anos, a organização aprovou várias resoluções muito criticadas por Israel, nomeadamente textos que omitem a vinculação judaica à denominada Esplanada das Mesquitas de Jerusalém.
Além disso, em julho passado, a Cidade Velha de Hebrón (Palestina) foi incluída entre os 21 novos sítios da Lista de Património Mundial, decisão que levou Israel a anunciar que iria retirar um milhão de dólares na sua contribuição às Nações Unidas, e que os Estados Unidos consideraram "trágica".
Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, os EUA alinharam-se muito claramente com Israel nas Nações Unidas, denunciando repetidamente a suposta parcialidade contra o seu parceiro dentro da UNESCO.
Também a diretora-geral da organização, Irina Bokova, disse hoje "lamentar profundamente" a decisão norte-americana de se retirar, considerando que "a universalidade é essencial à missão da UNESCO para construir a paz e a segurança internacionais face ao ódio e à violência, pela defesa dos direitos humanos e da dignidade humana".
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