Jair Bolsonaro ligado à morte da ativista Marielle Franco e motorista

Depoimento revelado pela Globo diz que, horas antes do crime, suspeito do homicídio visitou condomínio.

31 de outubro de 2019 às 08:52
Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil Foto: Reuters

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Um depoimento explosivo revelado pela TV Globo liga o presidente Jair Bolsonaro aos principais suspeitos pela morte da vereadora Marielle Franco e do seu motorista, assassinados no Rio de Janeiro a 14 de março do ano passado.

Bolsonaro, em visita à Arábia Saudita, disse estar a ser vítima de uma "canalhice" e acusou o governador do Rio, Wilson Witzel, e a Globo de quererem destruí-lo.

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"TV Globo, isso é uma patifaria. É uma canalhice o que vocês fazem. Uma canalhice fazer uma matéria dessas em horário nobre, colocando sob suspeição que eu poderia ter participado na execução de Marielle Franco", disparou Bolsonaro, extremamente irritado, num vídeo publicado nas redes sociais, em que ameaçou mesmo não renovar a concessão da Globo, que termina em 2022.

No depoimento divulgado pela Globo, um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente tem a sua residência particular, afirmou que, poucas horas antes do crime, Élcio Queiroz, um dos suspeitos, chegou ao local e disse que ia a casa de Bolsonaro, então deputado federal.

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O porteiro ligou para a casa de Bolsonaro e uma pessoa que o funcionário identificou como "seu Jair" autorizou a entrada. Nesse dia, porém, Bolsonaro estaria em Brasília, conforme comprovam registos oficiais.

Ainda de acordo com o porteiro, ao verificar pelas câmaras de vigilância que o visitante não tinha ido para a casa indicada e sim para a casa do sargento reformado Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos tiros que mataram Marielle e o motorista e que era vizinho de Bolsonaro, o funcionário voltou a ligar para a residência do atual presidente.

E, novamente garantindo que a pessoa no outro lado da linha seria "seu Jair", o porteiro afirmou que lhe foi dito que estava tudo bem, que sabia para onde Élcio tinha ido.

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PORMENORES

Morta com quatro tiros

Depois de deixarem o condomínio, os suspeitos começaram a seguir Marielle de carro, emboscando-a numa rua pouco movimentada e matando-a com três tiros na cabeça e um no pescoço. A polícia diz que foi Lessa quem disparou, enquanto Queiroz conduzia o carro.

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Ligações suspeitas

Esta não é a primeira vez que Bolsonaro é ligado aos suspeitos do crime. Em março veio a público uma foto que tirou ao lado de Élcio Queiroz. Há ainda rumores de que um dos filhos de Bolsonaro namorou com a filha de Ronnie Lessa.

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