Jair Bolsonaro volta a minimizar pandemia do coronavírus
Presidente descarta cenário idêntico ao dos EUA porque “brasileiro não pega nada”.
Minimizando mais uma vez a pandemia de coronavírus, cuja gravidade não reconhece apesar de o Brasil já ter mais de três mil infetados e acima de 80 mortes, o presidente Jair Bolsonaro disse esta sexta-feira não acreditar que o país venha a enfrentar números tão dramáticos como os registados nos EUA, onde já há mais de 82 mil infetados e mais de mil mortes. E a razão desse otimismo, explicou Bolsonaro, é que "o brasileiro não apanha nada, mesmo que pule num esgoto".
"Eu acho que não vai chegar a esse ponto. Até porque o brasileiro tem de ser estudado, ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto, ele sai, mergulha, tá certo, e não acontece nada com ele. Eu acho até que muita gente já foi contaminada no Brasil (pelo coronavírus) há poucas semanas ou meses, e ele já tem anticorpos que ajudam a não proliferar isso daí", afirmou Bolsonaro a jornalistas e simpatizantes junto à residência oficial em Brasília. Recorde-se que o presidente tem repetidamente caracterizado os sintomas do novo coronavírus como "uma gripezinha".
Mostrando uma outra faceta pouco comum a um chefe de Estado, ainda mais num momento tão grave, Jair Bolsonaro disse esta sexta numa das suas redes sociais que os brasileiros têm de aprender a cuidar de si mesmos. Segundo o presidente, o governo não pode fazer tudo.
"O brasileiro tem de aprender a cuidar de si mesmo! A primeira pessoa que tem de se preocupar com o grupo de risco (idosos com mais de 60 anos e quem tem doenças como diabetes e tensão alta) é quem tem pai e avô em casa, não é esperar que o governo faça alguma coisa. O governo está a fazer, mas não pode fazer tudo o que as pessoas acham que ele tem de fazer", disse Jair Bolsonaro, evidenciando mais uma vez total alheamento perante a grave crise de saúde pública que atinge o Brasil.
Pediu reabertura das escolas e do comércio
Ajuda de emergência A Câmara dos Deputados aprovou esta sexta-feira uma ajuda de emergência de cerca de 111 euros a pessoas sem renda fixa definida por um período de três meses. O valor determinado pelos deputados é o triplo do proposto pelo presidente Jair Bolsonaro, que oferecia apenas 37 euros.
Incitar à desobediência
Dois apoiantes de Jair Bolsonaro foram detidos em Guarulhos, no estado de São Paulo, por incitarem a população a violar a quarentena. Os dois usavam um altifalante para exortarem os moradores a voltar ao trabalho e a retomarem a vida normal.
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