Juiz proíbe publicação de dados confidenciais divulgados pelo Football Leaks

Magistrado espanhol diz que informações divulgadas resultaram de uma violação do direito de privacidade.

05 de dezembro de 2016 às 22:41
Cristiano Ronaldo Foto: EPA
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O juiz espanhol Arturo Zamarriego proibiu os 12 órgãos de comunicação social que publicaram o escândalo 'Football Leaks' de difundir qualquer informação sobre os clientes da sociedade Senn Ferrero, informou esta segunda-feira a AFP.

No auto, datado de 02 de dezembro e a que a AFP teve hoje acesso, o juiz do tribunal madrileno pede auxílio judicial às autoridades alemãs para que instem o Der Spiegel, depositário dos 18 milhões de documentos revelados pelo 'site' Football Leaks', e os outros membros do consórcio a não difundir nenhum dado relativo aos clientes de Senn Ferrero, entre os quais estão Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Jorge Mendes.

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De acordo com a AFP, o magistrado argumenta que as informações divulgadas pelo 'Football Leaks' resultaram de uma violação do direito de privacidade, uma vez que terão sido obtidas através de um ataque cibernético à empresa espanhola, que aconselha desportistas quanto ao regime fiscal.

Assim, o auto pretende "paralisar e/ou banir a publicação, em papel ou em formato digital, de informação confidencial de âmbito pessoal, financeiro, fiscal e/ou legal dos clientes da Senn Ferrero, a cujo consórcio de jornalistas European Investigative Collaborations (EIC) possa ter acesso".

Os meios que compõem o consórcio, citados pelo diário espanhol El Mundo, acolheram com "estupefação" a proibição, considerando que se trata de "um ataque sem precedentes à liberdade de expressão na Europa" e sublinhando que vão continuar a publicar o trabalho de investigação.

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Na sexta-feira, os membros do EIC, que incluem o Expresso, o Der Spiegel, o El Mundo, o austríaco Der Falter, o belga Le Soir, o dinamarquês Politiken, o italiano L'Expresso, o grupo francês Mediapart, o sérvio Newsweek e o romeno RCIJ The Black Sea, noticiaram que Cristiano Ronaldo evadiu, supostamente, milhões de euros em impostos através de uma sociedade nas Ilhas Virgens.

A informação, que também envolve outros jogadores, entre os quais Fábio Coentrão, Ricardo Carvalho ou Pepe, assim como o internacional alemão Mesut Ozil, do Arsenal, foi colhida a partir de 1.900 gigabytes de documentos a que o referido consórcio europeu teve acesso e sobre os quais trabalharam 60 jornalistas durante mais de sete meses.

De acordo com os documentos, cedidos aos citados OCS pela plataforma digital 'Football leaks', são muitas a estrelas do futebol internacional que se esforçam por ocultar os seus rendimentos ao fisco, dando como exemplos concretos os de Ronaldo e Ozil.

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O avançado português terá, alegadamente, segundo o El Mundo, utilizado empresas fictícias sediadas nas Ilhas Virgens para ocultar receitas de publicidade de 150 milhões de euros e, segundo o Der Spiegel, alguns colaboradores próximos de Ronaldo revelaram-se preocupados com a possibilidade de detalhes da sociedade caribenha chegarem ao conhecimento das autoridades.

Entretanto, a Gestifute, do agente Jorge Mendes, que representa os interesses de Cristiano Ronaldo e José Mourinho, já tinha feito saber, na quinta-feira, numa declaração pública, que ambos estão em dia com as suas obrigações fiscais, tanto em Espanha como no Reino Unido.

Na mesma declaração, enviada à Agência Lusa, a Gestifute sublinhava que Cristiano Ronaldo e José Mourinho nunca estiveram envolvidos em qualquer processo judicial relativo à prática de qualquer delito fiscal e ameaçava que qualquer insinuação ou acusação dessa natureza em relação a ambos será denunciada e perseguida nos tribunais.

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