Justiça ordena a Trump que reinstale exposição sobre escravatura nos EUA

Juíza responsável comparou decisão da administração norte-americana ao "Ministério da Verdade" do livro '1984'.

17 de fevereiro de 2026 às 07:45
Justiça ordena a Trump que reinstale exposição sobre escravatura nos EUA
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Uma juíza dos EUA ordenou segunda-feira ao governo de Donald Trump que reinstalasse uma exposição sobre a história da escravatura nos EUA, que tinha sido desmantelada no final de janeiro, num quarteirão histórico de Filadélfia.

Citando George Orwell na sua declaração, Cynthia Rufe escreveu ter sido convocada para "determinar se o governo federal possui o poder de que se reivindica de travestir e desmantelar estas verdades históricas", "como se o Ministério da Verdade no [romance distópico] '1984' ainda existisse, como o seu slogan 'A ignorância é a força'".

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Na sua decisão, responde que o governo "não tem" aquele poder.

A juíza determina que os Parques Nacionais, que desmantelaram a exposição, "reinstalem todos os painéis, cartazes e vídeos que estavam em exposição".

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Ao governo federal é proibido "qualquer acrescento, supressão, destruição ou mortificação suplementar" sem o acordo da cidade de Filadélfia, que esteve na origem deste processo judicial.

à exposição estava aberta desde 2010, na "President's House" de Filadélfia, primeira residência oficial do presidente dos EUA, quando a capital federal estava nesta cidade do Estado da Pensilvânia.

Intitulada "Liberdade e escravatura na construção de uma nova nação", homenageia nove dos escravos do primeiro presidente, George Washington, cujo aniversário é celebrado esta terça-feira.

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A sua desmontagem seguiu-se a uma ordem executiva de Trump, de março, para "restabelecer a verdade na história americana" e eliminar os "contos conflituais", e que a atacava diretamente.

"A preservação das ideias da nossa nação passa pela verdade total sobre a nossa história, com os bons e os maus. Continuarei a bater-me para que as peças expostas sejam inteiramente recolocadas no seu lugar e acessíveis ao público", comentou o congressista democrata pelo Estado da Pensilvânia, Brendan Boyle, depois da decisão judicial.

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