Kremlin elogia "passo importante" com alívio das restrições aos atletas russos
"É um passo importante para restabelecer o direito legítimo de os nossos atletas participarem em competições internacionais", considerou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
O Kremlin rotulou esta quarta-feira de "passo importante" a decisão de o Comité Olímpico Internacional (COI) remover muitas das restrições impostas à Rússia e que possibilita a sua participação nos Jogos Olímpicos Los Angeles2028.
O COI levantou provisoriamente a suspensão imposta ao Comité Olímpico Russo e informou as entidades desportivas olímpicas que já não precisam de avaliar a participação dos seus atletas para competirem sob bandeira neutra.
"É um passo importante para restabelecer o direito legítimo de os nossos atletas participarem em competições internacionais", considerou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Para o governo russo, esta decisão surge na sequência do "trabalho que está a ser realizado de forma constante e consistente por parte das suas autoridades desportiva e que continuará a ser desenvolvido".
Dmitry Peskov acrescentou que, "agora, é muito importante que todos os atletas russos tenham a oportunidade de competir em grandes eventos internacionais".
A Ucrânia protestou veementemente contra a decisão do COI de levantar as restrições impostas logo após a invasão russa em 2022.
"É um sinal preocupante para toda a comunidade internacional", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, recordando que a guerra continua com vítimas civis diariamente e a destruição de cidades.
Como tal, o governante instou as federações desportivas internacionais a manterem as restrições, considerando ainda que a bandeira e o hino russos não deveriam estar presentes num evento desportivo, algo que o COI ainda mantém válido para os Jogos Olímpicos Los Angeles2028, situação que vai "analisar oportunamente", apesar de ter dado liberdade de decisão aos seus filiados nos respetivos eventos.
Marta Kostyuk, a mais recente estrela ucraniana do ténis, condenou a "terrível decisão do COI", classificando-a como "muito fora do fair-play", após chegar esta quarta-feira às meias-finais de Wimbledon.
A orientação do COI para reintegrar os russos em eventos internacionais não é vinculativa para as federações desportivas individuais.
A World Athletics já declarou que não seguirá o exemplo e ainda não há indícios de mudanças que permitam à Rússia regressar a grandes eventos futebolísticos, como o Euro2028 ou um futuro Mundial.
"A FIFA foi informada da decisão tomada pelo COI de suspender provisoriamente a suspensão do Comité Olímpico Russo", afirmou a entidade máxima do futebol, acrescentando que a irá analisar para definir os próximos passos.
No ano passado, a FIFA convidou a Rússia a enviar uma equipa ao primeiro Festival de Futebol sub-15 masculino, no Azerbaijão, que começa a 22 de outubro. Isto aconteceu pouco depois de o COI ter recomendado que as seleções juvenis russas pudessem competir com a bandeira e o hino do país.
Tradicionalmente um dos países com maior peso olímpico, a Rússia está, desde 2016, privada das suas cores na arena olímpica, primeiro devido ao escândalo de doping patrocinado pelo Estado, que lhe valeu competir sob a bandeira olímpica (2018) e depois sob a do ROC (2021 e 2022).
Quatro dias após o encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022, em fevereiro desse ano, o exército russo invadiu a Ucrânia com o apoio da Bielorrússia, desencadeando uma série de sanções desportivas que se juntaram à indignação da comunidade internacional.
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