Leão XIV: o construtor de pontes que desafia Trump

Pediu o fim da "barbárie" na Faixa de Gaza e considerou guerra no Irão "um escândalo para a humanidade". Presidente dos EUA passa a vida a criticar o Papa, mas não fica sem resposta.

09 de maio de 2026 às 01:30
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Não é fácil suceder a um líder carismático, adorado em todo o mundo ao longo dos seus 12 anos de pontificado. Francisco, o homem que veio “do fim do mundo”, deixou um legado imenso e uma saudade eterna, Talvez por isso, Leão XIV, o primeiro Papa norte-americano, tenha optado, nos primeiros tempos, por um pontificado discreto.

O primeiro grande teste à sua popularidade ocorreu em agosto de 2025, no Jubilei dos Jovens, em Roma, onde recebeu o primeiro banho de multidão. Mais de 500 mil jovens foram ao seu encontro, fazendo lembras as jornadas da juventude, iniciadas por João Paulo II na década de 80. Defensor de “uma igreja que constrói pontes e diálogo, sempre aberta a receber, de braços abertos, todos aqueles que precisam da nossa caridade e da nossa presença”, Leão XIV escolheu a Turquia e o Líbano para a primeira visita pastoral fora de Itália, onde se assumiu como um mensageiro da paz.

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E foi sobretudo de paz que falou ao longo do seu primeiro ano de pontificado, que se assinalou na sexta-feira: pediu o “fim imediato da barbárie” na Faixa de Gaza; classificou a guerra no Médio Oriente e noutras regiões do mundo “um escândalo para a humanidade”. Mais recentemente, insurgiu-se contra Donald Trump, quando o Presidente norte-americano que, se o Irão não reabrisse o Estreito de Ormuz, uma civilização inteira morreria.

Uma afirmação “verdadeiramente inaceitável”, disse o Papa, para irritação do ‘polícia do mundo’, que desde então não tem parado de o criticar, transformando a guerra de palavras entre ambos no facto mais marcante do primeiro ano de Leão XIV. O Papa já deixou claro que não se deixa intimidar nem condicionar. “Não tenho medo da administração Trump”, confessou o Santo Padre. 

Frases

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"A falta de fé muitas vezes traz consigo dramas como a perda do sentido da vida, a crise da família e outras feridas."

"Espero sempre por um cessar-fogo, que a violência cesse e que cheguem a um acordo. Como é que a guerra pode continuar há tanto tempo? Qual é o objetivo?"

"Basta de idolatria do ego e do dinheiro! Basta das demonstrações de força! Basta de guerra! A verdadeira força manifesta-se em servir a vida."

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"Não tenho medo nem da Adminis- tração Trump nem de falar sobre a mensagem do Evangelho. Acredito que a Igreja tem o dever moral de se manifestar muito claramente contra a guerra."

"A missão da Igreja é pregar o Evange- lho e a paz. Se alguém me quiser criticar, que o faça com a verdade."

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