Líder do cartel de Jalisco, ‘El Jardinero’, detido no México
Audias Flores Silva chefiava a segurança de "El Mencho" e era apontado como um dos possíveis sucessores do líder de cartel morto em fevereiro.
As autoridades mexicanas detiveram um dos principais lideres do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), Audias Flores Silva, conhecido como "El Jardinero", esta segunda-feira. Considerado uma das organizações criminosas mais poderosas do México, o CJNG sofreu mais um revés apenas dois meses após a morte do líder do grupo, "El Mencho".
"El Jardinero" era apontado como um dos possíveis sucessores de Nemesio Oseguera Cervantes, mais conhecido por "El Mencho", morto numa operação militar em fevereiro. Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de cinco milhões de dólares por informações que levassem à detenção.
Segundo as autoridades mexicanas, Flores Silva foi localizado escondido numa vala junto à estrada, perto da localidade de El Mirador, no estado de Nayarit. A operação decorreu sem vítimas mortais nem feridos, de acordo com a agência Associated Press.
As autoridades mexicanas indicam que Flores Silva chefiava a segurança de "El Mencho" e desempenhava um papel central na produção e tráfico de droga nos estados de Nayarit, Jalisco, Estado do México e Zacatecas. Flores Silva já tinha antecedentes criminais. Ainda jovem, foi detido nos Estados Unidos, onde cumpriu cinco anos de prisão por tráfico de droga. Em 2016, voltou a ser preso no México por alegada participação numa emboscada contra polícias em Jalisco, tendo sido libertado três anos depois. Desde 2021, Washington solicita a sua extradição por acusações relacionadas com conspiração para tráfico de droga e posse de armas de fogo.
Especialistas em segurança consideram que a captura representa um golpe significativo para a liderança do CJNG, que ainda tentava reorganizar-se após a morte do fundador. Ainda assim, alertam que estas organizações têm grande capacidade de adaptação e podem continuar a operar mesmo após a detenção dos seus principais dirigentes.
A morte de "El Mencho" desencadeou uma vaga de violência no país, com ataques a estabelecimentos comerciais, incêndios de viaturas e bloqueios de estradas levados a cabo por membros do cartel. Os confrontos provocaram mais de 70 mortos, entre os quais 25 elementos da Guarda Nacional mexicana.
Apesar da escalada de violência, a eliminação do líder do CJNG foi vista como uma vitória política para a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que tem adotado uma linha mais dura no combate aos cartéis do que os seus antecessores. A estratégia surge também num contexto de pressão dos Estados Unidos, onde o Presidente Donald Trump classificou, no ano passado, o CJNG e outros cinco cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras.
De acordo com a agência antidroga norte-americana (DEA), o CJNG está presente em 21 dos 32 estados mexicanos, superando o Cartel de Sinaloa, identificado em 19 estados. Alguns analistas estimam, contudo, que a influência do grupo possa estender-se a 25 estados e a cerca de 100 países, incluindo os Estados Unidos.
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