De origens muito humildes, emigrou para os EUA na década de 1980, mas foi deportado. De volta ao México criou o cartel CJNG e passou a ser um dos narcotraficantes mais procurados do mundo.
A história é digna de um bom argumento para uma futura série numa plataforma de 'streaming', ao nível de 'Narcos' ou 'El Chapo'. "El Mencho", um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, foi morto no domingo numa operação do exército mexicano, um acontecimento que provocou o caos no México, com os cartéis a retaliarem e a provocarem uma onda de destruição e terror em várias cidades.
Mas afinal, quem era Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido por "El Mencho", narcotraficante procurado há anos e pelo qual os EUA ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (cerca de 12,7 milhões de euros)?
Oseguera Cervantes, de 56 anos, era o principal líder do cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais violentas e com maior presença territorial no México e que, no início do ano passado, foi designada pelo governo dos EUA como organização terrorista.
"El Mencho" nasceu na região conhecida como Tierra Caliente, em Michoacán, no México.
Na década de 1980 rumou ilegalmente para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida - cresceu no seio de uma família pobre de produtores de abacate.
Na Califórnia, onde se estabeleceu, chegou a ser detido em diversas ocasiões, sempre por delitos menores. Mas a partir da década de 1990 envolveu-se no tráfico de drogas, o que levou à sua deportação, depois de em 1992 ter sido condenado pelo Departamento de Justiça por tráfico de heroína.
De volta ao México, ironia do destino, trabalhou como polícia municipal na cidade de Cabo Corrientes, em Jalisco. Um cargo que, na realidade, era uma fachada, pois na altura já atuava como braço armado de um cartel de drogas.
A sua ascensão meteórica e influência levam-no a criar, em 2010, um dos cartéis de droga mais violentos do México, o cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). E a partir daqui passou a ser um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, também devido a uma série de massacres e confrontos violentos contra organizações rivais, e mortes de autoridades.
A capacidade que tinha em infiltrar-se nas forças de segurança mexicanas, e os altos contactos de que dispunha, permitiram que o seu 'império' de tráfico de droga crescesse a um ritmo impressionante. Além do tráfico de estupefacientes, o cartel dedicava-se a outro tipo de atividades criminosas, como sequestros, extorsões e lavagem de dinheiro.
De acordo com a Reuters, o CJNG foi o primeiro a utilizar armamento de guerra contra o Estado de forma sistemática. Em 2015, por exemplo, elementos pertencentes ao cartel abateram um helicóptero do Exército com um lançador de granadas.
O grupo chefiado por "El Mencho" dedicava-se sobretudo à produção de drogas sintéticas. De acordo com o The New York Times, o cartel CJNG foi o principal responsável por inundar os Estados Unidos com fentanil (opioide sintético extremamente potente, conhecido pela sua rápida ação e curta duração).
Há vários anos procurado, nos últimos tempos as forças de segurança intensificaram as operações para a sua captura. Mas nunca foi fácil dar com o seu paradeiro. “Ele é como um fantasma, sempre um passo à frente das autoridades", diziam fontes aos meios mexicanos.
Ainda segundo a imprensa mexicana, "El Mencho" sofria há alguns anos de uma grave insuficiência renal crónica, e terá mesmo construído na selva de Jalisco uma pequena unidade hospitalar onde realizava diálise.
Oseguera Cervantes foi morto pelas forças militares no domingo, durante uma operação em Tapalpa, 130 quilómetros ao sul de Guadalajara, capital de Jalisco.
A sua morte é um dos golpes mais duros desferidos ao narcotráfico desde a prisão dos fundadores do cartel de Sinaloa, Joaquín Guzmán "El Chapo" e Ismael "Mayo" Zambada, detidos nos Estados Unidos.
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