Luaty Beirão novamente em greve de fome
Ativista foi levado à força para hospital-prisão em Luanda.
Ao que tudo indica, Luaty Beirão terá iniciado outra greve de forme. O músico e ativista social terá recusado transferir-se para o
hospital-prisão de São Paulo, em Luanda.
"Luaty iniciou um protesto de nudez, silêncio e fome, recusando-se a receber a família e comida da família. "Disseram-nos que ele não quer receber ninguém e que está nu. Não aceitou receber a comida e que está deitado no chão. Não sabemos de mais pormenores", pode ler-se na página de Luaty, na rede social Facebook
Face à recusa do músico e de mais três detidos - Nelson Dibango, Albano Bingo Bingo e Dago -, os "serviços prisionais voltaram a comarca de Viana para buscar os outros quatro activistas, levando Luaty Beirão à força para o Hospital Prisão São Paulo", acrescenta o post.
Luaty foi o primeiro a reprovar esta acção e negou ser transferido da Comarca de Viana para o Hospital Prisão São Paulo. "Eu não quero ir para um sítio, só porque supostamente tem melhores condições para nós, quando a maior parte dos reclusos vive encarcerado com condições precárias" disse o activista.
"Foi levado ao Hospital-Prisão de São Paulo à força"
Mónica Beirão revelou que ainda não falou com o marido. "Ainda não falei com ele. Ele recusa-se. Não quer falar com ninguém. Foi levado ao Hospital-Prisão de São Paulo à força. Não sei que força é que eles usaram. Mas ele já tinha dito que não queria ir para a prisão de São Paulo. Em Viana, ele já denunciava algumas anomalias, como excessos de prisão preventiva e outras situações menos boas a que os presos eram submetidos. Ele não concordava que tinha que ser levado para um sítio diferente dos outros, talvez com melhores condições, quando a maioria dos presos ainda vive em condições precárias", afirmou a esposa do músico, em declarações ao site Rede Angola.
O porta-voz dos serviços prisionais de Viana, Menezes Cassoma, confirmou a transferência de 12 dos 15 activistas que estavam detidos para o Hospital-Prisão de São Paulo.
"Sei que ontem Luaty foi transferido para o estabelecimento prisão de São Paulo, onde estão neste momento um conjunto de 12 reclusos. Relativamente ao protesto de fome e nudez ainda não posso confirmar", afirmou o porta-voz.
Em março, após ter estado detido ao longo de vários meses, o rapper foi condenado por um Tribunal de Luanda a cinco anos e seis meses de prisão. Luaty e outras 16 pessoas foram acusadas de "atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores". Foram igualmente condenados por associação criminosa.
A pena mais pesada, oito anos e meio, foi aplicada pelo Ministério Público angolano a Domingos da Cruz, jornalista e autor do livro "Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura", que os ativistas estavam a ler no momento da detenção, numa livraria de Luanda, em junho do ano passado.
Notícia em atualização
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