Madrid ajudou CIA
As suspeitas de cumplicidade com os voos da CIA que recaíam sobre o governo espanhol de José Luis Rodríguez Zapatero viram-se ontem confirmadas. Documentos divulgados pela Wikileaks provam que Espanha autorizou mesmo a passagem por Espanha dos voos ilegais com suspeitos de terrorismo e que fez tudo para silenciar o caso.
A vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, terá afirmado, em 2006: "A Espanha não tem reparos a fazer sobre os voos. Quer apenas ser informada, para poder afirmar que faz uma vigilância adequada." A frase surge num de vários telegramas enviados para Washington, entre 2006 e 2008, pela embaixada dos EUA em Madrid.
Outra mensagem, datada de 8 de Junho de 2006, explica o porquê do pedido de informações. O governo de Zapatero, diz, foi "apanhado de surpresa pela inclusão de Espanha num relatório do Conselho da Europa" acusando países europeus de cumplicidade em práticas contrárias aos direitos humanos.
Ante a polémica que se seguiu, a embaixada dos EUA e o governo espanhol colaboraram para "dar ao caso o menor relevo possível".
No entanto, o ex-ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros Miguel Ángel Moratinos alertou que uma investigação judicial em curso podia trazer problemas: "Agora que está nas mãos dos juízes, o governo tem capacidade limitada de influência." Apesar disso, prometeu fazer tudo para empatar os investigadores "até que o caso seja arquivado e esquecido".
Antonio Camacho, secretário de Estado do Interior, negou já a "conivência" com os EUA e a pressão junto dos tribunais. Os telegramas, frisou, revelam apenas as "opiniões de uma pessoa".
RÚSSIA "PAGOU SUBORNOS" A BERLUSCONI
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, está a enriquecer com "percentagens pagas [pela Rússia] em todos os projectos da Gazprom em Itália", refere um telegrama da embaixada dos EUA em Roma revelado pela Wikileaks. Quanto à Rússia, Vladimir Putin, actual líder do governo, é considerado um ditador. O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, diz noutro telegrama: "A democracia russa desapareceu e o governo é uma oligarquia de espiões."
ASSANGE ESCAPA A DETENÇÃO NO REINO UNIDO
O líder da Wikileaks, Julian Assange, está no sudoeste de Inglaterra e a polícia conhece o seu paradeiro e contacto telefónico, mas não fez nada para o deter. Segundo a imprensa britânica, esta passividade é justificada por um erro técnico no mandado de captura internacional emitido pela Suécia, país onde é procurado por "violação e agressões sexuais". Assange nega os crimes e tentou interpor recurso, mas o Supremo Tribunal da Suécia recusou ontem o pedido.
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