Mãe foi à polícia

O caso da jovem Mara Rabelo, que garante ter sido mantida em cativeiro durante nove anos, em Goiás (Brasil), tinha sido denunciado à polícia pela mãe há cerca de cinco anos.

19 de fevereiro de 2008 às 00:30
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Quem o afirma é uma vizinha que acolheu a jovem, vítima do comerciante Raimundo Gomes Farias, de 61 anos, que a terá aliciado e mantido refém numa casa, onde terá abusado sexualmente dela.

Após ter fugido, há duas semanas, Mara passou cinco dias na casa da vizinha, a quem contou pormenores do período em que viveu com o comerciante. De acordo com o site Folha Online, a vizinha, que não se quis identificar por razões de segurança, afirma que a mãe da jovem assim que soube da gravidez apresentou queixa do alegado abuso sexual à polícia. Inicialmente, para justificar a permanência em casa de Farias, Mara, actualmente com 19 anos, foi induzida a dizer à família que trabalhava para Raimundo.

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Depois de ter apresentado queixa, a mãe de Mara acabou por conseguir tirar a jovem da casa do comerciante, ainda segundo a vizinha. No entanto, meses depois, após a morte da progenitora, Mara acabou por regressar ao local. A Polícia Civil de Goiás suspeita que outros homens tenham ido ao local onde Mara esteve cativa, o que a vizinha confirmou com base em conversas mantidas com a jovem.

Ainda segundo a vizinha, Mara ficou retraída e fragilizada no período em que esteve cativa em casa de Farias. “Ela viveu sempre lá [na casa do comerciante]. Nem sequer sabe conversar. Não cresceu e precisa de tudo”, afirma a vizinha, acrescentando que a jovem apenas lia para passar o tempo.

Já segundo o depoimento da própria Mara, esta era obrigada a demonstrar afecto a Raimundo em público, com receio de ser castigada. De acordo com a polícia, parte do tempo em que a jovem esteve cativa foi num porão em casa do alegado agressor sexual.

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Recorde-se que Raimundo está preso numa cadeia de Luziânia e ainda não tem advogado. Na sexta-feira o alegado agressor sexual afirmou que a relação que mantinha com a jovem era consensual e que nunca a agrediu. O homem ainda suspeito do homicídio da mãe de Mara.

A vizinha que acolheu Mara Rabelo e a quem esta contou pormenores do período em que viveu com Raimundo Gomes Farias afirma que o que motivou a jovem a fugir foi o “instinto de mãe”.

A jovem teve uma filha do alegado agressor sexual, que tem agora cinco anos. “Ela começou a perceber que a filha iria passar pelo mesmo que já tinha passado”, afirmou a vizinha. Ao que parece Mara já tinha ficado grávida do primeiro filho aos 13 anos. O alegado violador afogou a criança em frente à mãe após o parto. Mara encontra-se sob protecção policial em local secreto.

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