O caso de Lindsay Clancy chega hoje ao fim. Tudo o que se disse no julgamento da mãe que matou os três filhos

Júri vai agora deliberar se a enfermeira tem, ou não, responsabilidade criminal.

28 de agosto de 2026 às 09:32
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Esta quinta-feira foram ouvidas as alegações finais do de Lindsay Clancy. O caso que reteve atenções por todo o mundo nas últimas semanas está perto do fim, falta agora saber se a enfermeira obstétrica de 36 anos, acusada de estrangular os seus três filhos até à morte, vai ser considerada culpada ou não. 

Durante o julgamento, o caso chamou a atenção para a saúde mental materna, sobretudo no pós-parto, isto porque os advogados de Lindsay Clancy argumentaram que a mulher sofria de uma pós-parto quando matou alegadamente Cora, de 5 anos, Dawson, 3 anos, e Callan, 8 meses, na casa da família antes de se tentar suicidar, em 2023.  

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Nos últimos três anos, Lindsay, que depois de se atirar da janela do segundo andar ficou paralisada da cintura para baixo, foi mantida no Tewksbury Hospital, uma instituição hospitalar gerida pelo Estado norte-americano onde se encontra sob custódia. 

Os procuradores apresentaram mais de 70 testemunhas, incluindo o pai das crianças, enquanto a defesa apresentou apenas dez testemunhas, incluindo a irmã e a mãe de Lindsay. Vários psicólogos e psiquiatras foram ouvidos, durante as últimas cinco semanas, sobre o estado mental de Lindsay Clancy no momento do crime, isto porque esta é realmente a questão central do caso.  

Lindsay Clancy não falou durante todo o julgamento e, apesar de a sua defesa não contestar que foi ela quem matou os três filhos, declarou-se inocente por falta de responsabilidade criminal. 

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A defesa chamou vários especialistas para que testemunhassem sobre o estado mental de Lindsay que concluíram que a arguida estava psicótica no dia das mortes. Alegadas alucinações terão afetado de forma profunda a sua capacidade para compreender ou controlar aquilo que estava a fazer e um dos ouvidos, o conhecido psiquiatra forense Phillip Resnick, chegou a afirmar que Lindsay era uma “marioneta” controlada pela voz que dizia ouvir. 

Também a mãe e a irmã de Lindsay foram ao tribunal dizer que nos últimos meses da vida dos seus filhos a arguida se tornou ansiosa, paranoica e com tendências suicidas. 

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Nas alegações finais, o advogado de defesa Kevin Reddington culpou os “malditos remédios” e o “péssimo atendimento” que Lindsay recebeu por tudo o que aconteceu. Nos meses antes dos homicídios foram prescritos mais de doze medicamentos a para tratar a depressão pós-parto severa, apesar de não terem sido tomados todos ao mesmo tempo, e Lindsay procurou a ajuda de vários médicos.  

O advogado de 75 anos mostrou um exemplar do livro Boas Mães Têm Pensamentos Assustadores para relembrar que aquilo que foi encontrado em casa de Lindsay e os procuradores consideraram uma prova da premeditação era apenas uma prenda de um profissional de saúde. “Esta mulher vivia para os filhos”, reforçou.  

Reddington mostrou ainda uma “caixa de desejos” que Lindsay e o então marido Patrick compraram na sua lua de mel. Ao longo dos anos o casal encheu a caixa com papéis onde desejavam ter filhos saudáveis e bem-sucedidos. Durante toda a audição, Lindsay manteve-se bastante chorosa, no entanto, neste momento em particular era possível ouvir o soluçar da ré.

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Tendo em conta as leis estaduais de Massachusetts, depois da questão da responsabilidade criminal ser levantada é a acusação que tem de provar que o arguido era criminalmente responsável. Isto porque uma pessoa não pode ser considerada criminalmente responsável se devido a uma doença ou perturbação mental não tiver a capacidade para compreender a natureza criminosa dos seus atos ou controlar o seu comportamento. 

Lindsay teve uma consulta de psiquiatria no dia 23 de janeiro de 2023, um dia antes dos homicídios. Os registos da psiquiatra demonstram que nessa altura negou ter pensamentos suicidas ou homicidas e que não foram registados sinais claros de psicose ou mania. A defesa utilizou este historial para defender que, apesar dos seus problemas psicológicos, não estava psicótica nem incapaz de compreender aquilo que estava a fazer. 

A acusação chamou diferentes especialistas que reconheceram que Lindsay sofria de problemas psiquiátricos graves, mas rejeitaram a conclusão de que se encontrava psicótica ao ponto de não ser criminalmente responsável. Gregory Saathoff, a última testemunha da acusação ouvida na quarta-feira e psiquiatra do FBI, referiu que Lindsay conseguia distinguir o certo e o errado no dia em que matou os filhos. 

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Nas alegações finais desta quinta-feira a procuradora manteve esta linha e disse aos membros do júri que a arguida estava exausta e deprimida quando matou os seus filhos, mas que sabia que estava errada e que era uma “mãe funcional”. “Foi uma escolha levá-los consigo. Uma escolha horrível. É uma escolha que preferimos não imaginar que uma mãe possa fazer, porque isso não nos faz sentir seguros ou confortáveis neste mundo. Mas foi uma escolha que ela fez”, declarou a procuradora Jennifer Sprague.  

Sprague argumentou ainda que, apesar de ter pedido ajuda a profissionais de saúde, Lindsay nem sempre tomava os medicamentos conforme prescrito ou fornecia informações completas e precisas aos seus médicos.  

, marido de Lindsay no momento dos factos, foi a primeira testemunha no julgamento. Foi também a primeira pessoa a encontrar a mulher e os filhos no dia das mortes.  

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A 24 de janeiro de 2023, Patrick chegou a casa pouco tempo depois das 18h00 com os medicamentos e o jantar para a família que a mulher lhe tinha pedido para ir buscar quando viu Lindsay caída no exterior gravemente ferida. Ligou para os serviços de emergência e durante esta chamada Lindsay diz-lhe que os filhos estavam na cave da habitação. Já com os paramédicos no local, Patrick entrou dentro de casa, desceu à cave e encontrou os seus três filhos mortos com bandas de exercício à volta do pescoço.  

Já em tribunal, o agora ex-marido da arguida, recontou os acontecimentos daquele dia e relatou o estado mental de Lindsay nas semanas anteriores, com uma acentuada deterioração desde o final de 2022. A mulher partilhava consigo ter ansiedade, insónias, pensamentos suicidas e pensamentos intrusivos relacionados com a possibilidade de fazer mal aos filhos ou com a possibilidade de alguma coisa de mal lhes acontecer. 

Partilhou também que a mulher, que esteve internada no McLean Hospital entre os dias 1 e 5 de janeiro, lhe contou ter começado a ouvir uma voz masculina que lhe transmitia a ideia de que aquele era a sua “última oportunidade” para morrer e que as crianças sofreriam se ela morresse e as deixasse para trás. Mais tarde, outras testemunhas relataram que a arguida tinha partilhado com elas algo semelhante. 

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“Espero que o caso tenha aberto uma discussão e que as pessoas percebam a gravidade da situação”, referiu Kevin Reddington, advogado de defesa antes de entrar em tribunal para as alegações finais. 

Com o passar das semanas, o número de apoiantes de Clancy no exterior do tribunal, e nas redes sociais, aumentou sobretudo devido às preocupações quanto à saúde mental das mulheres. A questão não está em justificar o ocorrido mas sim em alertar para a sobrecarga que muitas mães sentem nos primeiros momentos de vida dos seus filhos e a forma como essas questões são acolhidas pelos profissionais de saúde e familiares.

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Nas redes sociais muitas mulheres estão a partilhar as suas próprias experiências e a forma como consideram que o seu estado mental afeta a maternidade - same, Lindsay é já uma trend no TikTok -, no entanto existem também várias publicações críticas destas mães e sobre a forma como essa generalização é prejudicial e este caso se deve focar na condenação de uma mãe que matou os próprios filhos.

O júri vai começar a deliberar ainda esta quinta-feira, mas é possível que demore vários dias a chegar a um veredito unânime devido à complexidade do caso.  

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Se for condenada por homicídio, a mulher de 36 anos enfrentará uma pena obrigatória de prisão perpétua, no entanto, se os membros do júri a considerarem inocente por falta de responsabilidade o mais provável é que não cumpra pena de prisão, mas que seja internada numa instituição psiquiátrica. 

 

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