Mais de 30 mil pessoas poderão ter sido mortas em dois dias de protestos no Irão, relatam fontes do governo do país

A confirmar-se, número é várias vezes superior aos dados oficiais até agora apurados.

25 de janeiro de 2026 às 11:19
Número de mortos no Irão poderá ser muito superior aos até agora confirmados Foto: AP
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A confirmar-se, são números estarrecedores. Fontes seniores do ministério da Saúde iraniano indicam que mais de 30 mil pessoas podem ter morrido nos protestos anti-regime só durante os dias 8 e 9 de janeiro, avança a revista Time este domingo.

Os dados não foram até ao momento verificados por entidades independentes, mas vão ao encontro de relatos e testemunhos de dentro do país, que nas últimas semanas têm afirmado que a dimensão do número de mortes é bastante superior aos dados oficiais mais recentes: cerca de 3 mil mortos de acordo com o regime autocrático de Ali Khamenei, mais de 5 mil segundo ONGs no terreno (importa frisar que a Human Rights Activists News Agency, baseado nos EUA, está a investigar mais 17 mil mortes potencialmente ligadas aos protestos para além destas cinco mil).

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A disparidade nos números, escreve a publicação, é explicada pelo facto de a metodologia dos grupos ativistas se basear no cruzamento de dados das vítimas com registos hospitalares. De acordo com Amir Parasta, um cirurgião germano-iraniano no terreno, que falou à Time esta sexta-feira, vários corpos terão ido diretamente para morgues, enquanto outros nem sequer chegaram a ser registados.

Deste modo, o número interno que aparentemente circula nos corredores do ministério da Saúde do Irão poderá dar uma aproximação da dimensão real da repressão contra os manifestantes, que no final de 2025 foram para a rua exigindo o fim do regime fundamentalista que vigora no país desde a Revolução Islâmica de 1979.

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As mesmas fontes do ministério indicam que a quantidade de mortos esgotou a capacidade do país de se desfazer dos corpos, levando à rutura de stock de sacos para cadáveres e até à utilização de semi-reboques no transporte dos mortos.

Contas feitas, se os números referentes aos dias 8 e 9 de janeiro se confirmarem, colocariam este como um dos maiores massacres da história, equiparável aos fuzilamentos dos esquadrões de morte da Alemanha Nazi.

Levantaria ainda questões sobre a forma como os manifestantes foram mortos, já que dificilmente um número tão alto de vítimas seria alcançado apenas em tiroteios. "Em Alepo, na Síria, e em Falujah, no Iraque, quando vagas de mortes desta magnitude ocorreram ao longo de alguns dias, envolveram sobretudo explosivos, com alguns disparos de arma de fogo", referiu à Time Les Roberts, académico e especialista em mortes violentas.

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Para já, e após quase um mês de confrontos entre manifestantes e autoridades do regime, os ânimos parecem ter serenado, não havendo nos últimos dias registo de protestos de larga escala. O Conselho para os Direitos Humanos da ONU veio entretanto condenar numa resolução oficial as repressão violenta dos protestos, com procuradores a afirmarem mesmo ser este um dos piores massacres da história recente do país, e comparável a atos classificados como genocídio. O Irão rejeitou a condenação.

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