País está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro. Dados de organizações indicam que pelo menos duas mil pessoas morreram na sequência dos confrontos.
Cerca de 3.000 pessoas foram presas durante os protestos no Irão, entre elas "indivíduos armados, manifestantes violentos e membros de organizações terroristas", segundo autoridades de segurança locais citadas esta sexta-feira pela agência de notícias iraniana Tasnim.
Por seu lado, num novo relatório, a organização não-governamental Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que até 20.000 pessoas foram presas nos protestos.
Esta sexta-feira, um clérigo iraniano que liderou as tradicionais orações de sexta-feira em Teerão exigiu a aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos na repressão nacional em curso e ameaçou diretamente o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O sermão -- que ilustra o endurecimento da linha dura no seio da República Islâmica e que foi transmitido pela rádio estatal iraniana -- foi acompanhado por gritos de apoio da assistência, como "hipócritas armados devem ser mortos".
As declarações surgem num contexto em que Trump estabeleceu como "linhas vermelhas" para uma eventual ação militar norte-americana a execução de manifestantes e o assassinato de civis pacíficos no Irão.
Mohamed Khatami, nomeado pelo líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, é membro da Assembleia de Peritos e do Conselho dos Guardiães, dois dos principais órgãos do sistema político iraniano.
No sermão, o clérigo descreveu os manifestantes como "mordomos" do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e como "soldados de Trump", afirmando que os protestos tinham como objetivo a "desintegração do país".
"Devem esperar uma dura vingança do sistema", defendeu Khatami, dirigindo-se a Trump e a Netanyahu, acrescentando que "norte-americanos e sionistas não devem esperar paz".
No sermão, Khatami apresentou também os primeiros números globais divulgados pelo regime sobre os danos materiais causados pelos protestos.
Segundo o clérigo, 350 mesquitas, 126 salas de oração e 20 outros locais sagrados foram danificados, assim como 80 residências de líderes religiosos responsáveis pelas orações de sexta-feira.
Khatami afirmou ainda que 400 hospitais, 106 ambulâncias, 71 veículos de bombeiros e outros 50 veículos de emergência sofreram danos, sublinhando a dimensão e a violência dos confrontos.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
Segundo dados divulgados na quarta-feira pela IHR, pelo menos 3.428 pessoas foram mortas durante o movimento de protesto, com base em informações confirmadas diretamente pela organização ou com base em testemunhas e fontes médicas e de morgues.
Estimativas de outras organizações apontam para um mínimo de 2.637 mortos e acima de 12 mil.
Num outro comunicado, a Human Rights Watch (HRW) acusou hoje as forças de segurança iranianas de "assassínios em massa", após a escalada dos protestos no país, e pediu à ONU que "convoque urgentemente" uma sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos.
"Os assassínios em massa cometidos pelas forças de segurança iranianas desde 08 de janeiro não têm precedentes e recordam de forma contundente de que os governantes que massacram o próprio povo continuarão a cometer atrocidades até serem responsabilizados", disse a diretora de programas da HRW, Lama Fakih, citada num comunicado.
A organização refere também que os meios de comunicação estatais noticiaram a morte de pelo menos 121 membros das forças de segurança e verificaram imagens de manifestantes envolvidos em atos de violência.
No entanto, diz a ONG, não foi possível avaliar de forma independente a credibilidade destes números.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.