Onda de protestos eclodiu há mais de duas semanas. Mais de 2500 pessoas morreram e há cerca de 18 mil detidos. Trump já prometeu uma ação militar e o Iráo promete retaliar.
Onda de protestos eclodiu há mais de duas semanas. Mais de 2500 pessoas morreram e há cerca de 18 mil detidos. Trump já prometeu uma ação militar e o Iráo promete retaliar.
O Irão está envolto em caos e violência desde que uma onda de protestos eclodiu no país há mais de duas semanas. Organizações não governamentais dão conta de mais de 2500 mortos e 18 mil detidos na sequência das manifestações que o governo iraniano tem tentado (em vão) reprimir. O país também já anunciou que vai avançar com execuções de manifestantes detidos.
Os primeiros protestos eclodiram a 28 de dezembro de 2025 pelo facto de os preços de bens de primeira necessidade terem disparado no país, depois de o rial iraniano (moeda nacional) ter sofrido uma forte desvalorização e um novo mínimo histórico, conta a Associated Press.
Os primeiros manifestantes foram lojistas do Grande Bazar de Teerão - um dos maiores mercados do Irão - que fecharam as lojas e iniciaram manifestações que rapidamente se alastraram a outras cidades iranianas e a universidades, quando o movimento passou a contar com uma forte base de apoio jovem.
A 30 de dezembro, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com um grupo de líderes empresariais para ouvir as suas reivindicações e prometeu que governo não pouparia esforços para resolver os problemas da economia. No dia seguinte, Abdolnasser Hemmati foi nomeado governador do Banco Central do Irão.
Foi também a 31 de dezembro que as autoridades no sul do Irão registaram os primeiros sinais de violência nos protestos. Na cidade de Fasa, uma multidão invadiu o gabinete do governador e atacou elementos da polícia. No primeiro dia de 2026, contaram-se as primeiras mortes e desde então o número não parou de aumentar.
Irão ameaça EUA e Israel enquanto protestos contra o regime se intensificam
VÍDEO: AP
Embora os protestos tenham tido início devido à desvalorização da moeda e à inflação galopante, a situação rapidamente ganhou fortes contornos sociais. As mulheres iranianas, principalmente mais jovens, aproveitaram os protestos para manifestar descontentamento com a autoridade político-religiosa do regime e com as rígidas regras sociais impostas às mulheres.
Melika Barahimi, uma jovem de 23 anos iraniana refugiada no Canadá, tornou-se um símbolo da revolução depois de uma imagem sua a usar a chama que queimava uma fotografia do líder Ali Khamenei para acender um cigarro se ter tornado viral. A foto, cujo gesto foi replicado durante manifestações e nas redes sociais, passou a representar a luta pela autodeterminação das mulheres no Irão, onde a roupa que usam é altamente controlada e continuam a ser vistas como inferiores aos homens, devendo subordinar-se aos maridos ou outros membros masculinos da família.
A luta pelos direitos das mulheres, por democracia e pela queda do regime tem sido crescente desde a prisão e morte de Mahsa Amini, em setembro de 2022. A jovem foi detida por ter infringido o código sobre o uso de vestuário feminino previsto nas leis da República islâmica, em particular o uso do véu (obrigatório às mulheres), e terá morrido por não ter resistido a agressões infligidas pela polícia.
Durante a onda de protestos, o Irão sofreu um apagão digital que deixou os cidadãos sem acesso à Internet e, consequentemente, ao mundo exterior. Segundo a página 'NetBlocks' que tem acompanhado o apagão que teve início a 9 de janeiro, "o incidente segue-se a uma série de medidas crescentes de censura digital que visam os protestos em todo o país e prejudicam o direito do público à comunicação num momento crítico".
Apesar do que indica a página, não há nenhuma informação oficial que indique que a medida foi propositada para esconder a violência no país. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, disse a diplomatas estrangeiros em Teerão, que a Internet seria restabelecida em breve e que o governo estaria coordenado com as forças de segurança para resolver o problema, de acordo com a Al Jazeera.
O fornecedor de Internet por satélite Starlink está a oferecer agora um serviço gratuito no Irão. A informação foi confirmada à AP por ativistas que disseram conseguir aceder ao serviço.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu, em declarações à CBS News, agir "com muita firmeza" caso o Irão começasse a executar pessoas presas durante os protestos contra o regime. A posição de Trump já valeu uma reação de Teerão, que avisou que irá atacar bases norte-americanas na região caso os Estados Unidos lancem uma ofensiva.
Anteriormente, Trump também já tinha indicado, numa publicação na rede social Truth Social, que "a ajuda estaria a caminho" e incentivou os iranianos a continuarem a protestar. Depois de atacar a Venezuela e assumir o controlo do país, as declarações do presidente dos EUA sobre o Irão poderão indicar uma intervenção semelhante. Já nesta quarta-feira, os Estados Unidos começaram a retirar centenas de soldados de bases aéreas no Médio Oriente, antecipando uma possível ação militar do Irão.
As autoridades iranianas, por sua vez, já afirmaram que bases militares americanas e israelitas na região poderiam ser atacadas caso fosse perpetrada alguma ofensiva militar contra o país.
O Irão já confirmou que irá avançar com julgamentos e execuções rápidas para os manifestantes detidos durante os protestos contra o governo. A primeira vítima será Erfan Soltani, de 26 anos. O dono de uma loja de roupa foi detido em casa, ficou em prisão preventiva e foi condenado a pena de morte, depois de ter participado nos protestos na passada quinta-feira, indica o Daily Mail. O jovem terá apenas 10 minutos para se despedir da família antes de ser enforcado. A comunicação social apontou que a execução aconteceria já esta quarta-feira, não havendo certezas se já aconteceu ou não.
Em várias cidades do Mundo como Paris, Berlim, Istambul, Londres, Washington e Santiago do Chile, nos últimos dias, milhares de pessoas saíram à rua para mostrar o seu apoio aos manifestos no Irão. Em muitos países pede-se a intervenção do presidente norte-americano, Donald Trump, para devolver a liberdade aos iranianos.
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